JUSTIÇA ARGENTINA MANTÉM SENTENÇAS POR CRIMES CONTRA A HUMANIDADE NA ESCOLA DA MARINHA E PELOS “VOOS DA MORTE”

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DITADURA MILITAR

Tribunal Federal de Cassação reafirma a existência de campos de extermínio e a prática de lançar opositores ao mar

Em 16 de marco de 1974, no sul de Santa Fé, na Argentina, se realizava uma massiva mobilização em marco de uma das lutas sindicais mais importantes da história do país. | | Crédito: Arquivo público

O Tribunal Federal de Cassação Criminal da Argentina manteve as sentenças de prisão perpétua para quatro repressores da ditadura por crimes contra a humanidade cometidos na Escola de Mecânica da Marinha (conhecida pela sigla Esma) e por meio dos chamados “voos da morte” (ou caso Campo de Mayo), e reafirmou o caráter desses espaços clandestinos de detenção como centros de extermínio de militantes e opositores de esquerda.

No caso Esma, o juiz Alejandro W. Slokar defendeu o “paradigma do campo de concentração” e definiu esse centro clandestino como um espaço para o extermínio de militantes e opositores de esquerda, com práticas de desumanização sistemática dos detidos.

Seus votos foram acompanhados pelos de Daniel Antonio Petrone e Gustavo M. Hornos. A sentença enfatizou o papel de Magnacco como médico ligado à maternidade clandestina e ao Hospital Naval, e observou que o confinamento de mulheres grávidas constituía uma forma extrema de violência de gênero dentro do plano sistemático de sequestro de crianças.

O tribunal também confirmou a condenação de Olivera pela detenção ilegal de uma mãe e sua filha sob o pretexto de “liberdade condicional” após o período em que estiveram sob custódia da Esma. O tribunal enfatizou que essas práticas faziam parte de um aparato repressivo estruturado durante a última ditadura civil-militar.
No caso Campo de Mayo, com votos de Slokar, Ángela E. Ledesma e Guillermo J. Yacobucci, a resolução destacou a mecânica dos “voos da morte” como instrumento de extermínio , nos quais prisioneiros eram lançados ao mar ou a rios a partir de aeronaves. A resolução enfatizou a importância das descobertas da Equipe Argentina de Antropologia Forense na reconstrução do funcionamento do aparato repressivo e na comprovação dos desaparecimentos.

A decisão descreveu como os corpos encontrados no litoral de Buenos Aires permitiram transformar “suspeitas em certezas” sobre essas práticas e ressaltou a dificuldade de comprovar o caso devido à falta de sobreviventes dos voos.

Ficou também estabelecido que Malacalza e Lance tinham controle funcional sobre as operações repressivas do 601º Batalhão de Aviação, o que constituiu a base de sua responsabilidade criminal por crimes contra a humanidade.

A decisão também alertou sobre a necessidade de preservar locais de memória e material probatório , e advertiu sobre o impacto de medidas que possam afetar os órgãos responsáveis ​​por sua proteção.

Por fim, o tribunal declarou que o reconhecimento judicial desses fatos constitui uma forma de “memória exercitada” diante do negacionismo e reafirma a obrigação do Estado de garantir a verdade, a justiça e a não repetição.

Esta decisão reforça o quadro jurídico para o julgamento de crimes contra a humanidade e mantém o compromisso com os direitos humanos no âmbito dos processos de memória e justiça de transição.

* Com Tiempo Argentino

Editado por: Telesur
Conteúdo originalmente publicado em: Telesur

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