‘AQUI, AGORA, TODO MUNDO’: MONÓLOGO DISCUTE SAÚDE MENTAL E COMUNIDADE LGBT+NO TEATRO SÉRGIO CARDOSO, EM SÃO PAULO

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TEMPORADA EM SP

Peça solo de Felipe Barros aborda depressão, solidão e pertencimento com sensibilidade e ludicidade

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‘Queríamos falar sobre esse tema de uma forma solar, de cura e comunidade’, diz Felipe Barros | Crédito: Aqui, Agora, Todo Mundo | Kim Leekyung

Em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, até 1º de março, o monólogo Aqui, Agora, Todo Mundo convida o público a mergulhar em questões urgentes da contemporaneidade: ansiedade, solidão, pressão por performance e silêncio emocional, tudo isso atravessado pela experiência de um corpo gay na cidade grande. A peça, protagonizada e idealizada por Felipe Barros, venceu o Coelho de Prata — prêmio do público — na 33ª edição do Festival Mix Brasil, um dos mais importantes eventos de cultura LGBT+ da América Latina.

A estrutura da peça reflete o próprio funcionamento da mente de alguém em sofrimento psíquico. “Construímos uma dramaturgia pensando nessa mente com depressão, na beira do abismo, onde é preciso repensar a vida. A partir daí, um jogo cênico se estabelece, com a plateia ajudando a montar esse quebra-cabeça”, detalha Barros.

As cenas não seguem uma ordem linear — podem acontecer de formas diferentes a cada sessão, exigindo do ator presença e percepção aguçadas. “O público é a mente, é a sociedade que também afeta a cabeça desse personagem.” Apesar da complexidade, o resultado é leve e envolvente, costurado por referências musicais que incluem a obra da cantora e compositora Jalu, cuja discografia dialoga diretamente com os temas da peça.

“Tem rolado muito papo legal pós espetáculo. As pessoas vêm falar de como foram atravessadas. É uma peça sobre vida, sobre viver. Morrer é enterrar todas as possibilidades. A vida tem essa possibilidade de entender o que nos dói e falar sobre isso”, reflete Barros.

O silêncio que fala

Barros também comenta os avanços e desafios na representação da comunidade LGBT+ na mídia e na arte. “Cresci nos anos 1990, foi muito difícil para um adolescente gay. Os estereótipos, a sombra da AIDS. Hoje, as séries e o cinema estão trazendo outros conflitos, tirando o corpo gay de um lugar só de estereótipo. A gente consegue falar sobre saúde mental de um homem gay, sobre as questões das mulheres lésbicas, da transexualidade.”

Ele pondera que, embora haja avanços, a polarização política e social também atinge a comunidade. “A própria comunidade LGBT criou certos padrões e preconceitos internos. É complicado. Enquanto tentamos avançar casas, há forças tentando retroagir. Mas não dá para parar. Tem coisas lindas acontecendo, pessoas querendo transformar o mundo com arte, com comportamento, com a vida.”

Serviço

O espetáculo Aqui, Agora, Todo Mundo está em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso (Rua Rui Barbosa, 153, Bela Vista, São Paulo) aos sábados, domingos e segundas, sempre às 19h, até 1º de março. Ingressos a preços acessíveis. Mais informações nas redes sociais.

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