JORNAL THE NEW YORK TIME AFIRMOU QUE DERROTA DE TRUMP REFORÇA SOBERANIA DO GOVERNO LULA

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Após meses pressionando Brasília, impondo tarifas de 50% sobre carne, café e outros itens, e sancionando um ministro do Supremo Tribunal Federal, Trump recuou: Bolsonaro está preso e as taxas foram retiradas.

Reportagem do jornal The New York Times destaca a mudança de postura de Trump no último sábado, quando reagiu ao encarceramento do ex-presidente brasileiro apenas com um “é uma pena”, bem distante da carta enviada a Lula em julho pedindo o arquivamento das acusações de tentativa de golpe.

O efeito reverso das tarifas

A publicação norte-americana destaca que as tarifas não apenas foram ineficazes como aumentaram os preços aos consumidores e geraram desgaste interno.

Analistas avaliam que a pressão externa pode ter contribuído para a pena mais dura imposta a Bolsonaro, que foi detido após violar a tornozeleira eletrônica e ser considerado risco de fuga.

Com a estratégia frustrada, Trump se aproximou de Lula. Após encontro recente, passou a elogiá-lo publicamente e reverter medidas adotadas para proteger Bolsonaro.

Na última quinta-feira, Trump assinou a ordem executiva que removeu as tarifas mais sensíveis aplicadas ao Brasil — especialmente sobre carne e café — justificando a decisão como parte de um “progresso nas negociações” com o governo Lula.

Nos bastidores, a expectativa é de que Washington busque contrapartidas em áreas estratégicas, como o acesso a reservas brasileiras de minerais críticos, incluindo terras raras, que vêm sendo tratadas como prioridade geopolítica pelos EUA.

As sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, no entanto, permanecem. A atuação firme do magistrado na condução dos processos contra Bolsonaro e seus aliados — incluindo ordens rigorosas a redes sociais — ainda desperta controvérsia em Washington.

Lula reafirma soberania nacional

Questionado no domingo sobre a reação de Trump à prisão de Bolsonaro, Lula foi direto: “Trump precisa entender que somos um país soberano.”

Para o governo brasileiro, o episódio reforça um ponto de princípio: nenhuma potência externa, mesmo os Estados Unidos, pode ditar os rumos das instituições nacionais.

No balanço final, enquanto Trump tenta administrar o desgaste interno, Bolsonaro enfrenta uma longa pena de prisão — e o Brasil emerge da crise reafirmando sua autonomia política perante a maior potência do planeta.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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