IZAÍAS ALMADA: FAKE NEWS: A DITADURA SUTIL
Fake News: A Ditadura Sutil
por Izaías Almada
Enquanto o país, assustado, espera pelas eleições municipais de outubro próximo, vamos acompanhando, ao lado da fase midiática e especulativa da propaganda eleitoral, o crescimento não só do ódio contra a democracia e seus defensores, mas também a pregação já nada sutil de mergulharmos de cabeça na ditadura das fake news.
É desejável que o governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva venha a tomar as rédeas da situação como deve ser.
Não se deve confundir liberdade com libertinagem e nem liberdade de expressão com a divulgação de mentiras que coloquem em risco a democracia (que já está há tempos moribunda) no Brasil.
Não vamos às ruas para defender a Faixa de Gaza contra o genocídio praticado pelo Estado de Israel, mas o Congresso Nacional deverá discutir um projeto de privatização das nossas praias.
Não vamos às ruas para defender a democracia no Brasil, mas as articulações para anistiar os golpistas de 08 de janeiro vão sendo costuradas pela beirada.
Não vamos às ruas para defender os direitos trabalhistas, para nos defender das escorchantes taxas de juros bancárias, para defender as nossas matas da ganância do agro negócio e não só…
É bom não esquecer que a situação econômica e a política mundial passam também por momentos delicados. A possibilidade de uma terceira guerra mundial caminha a passos já não tão lentos.
O mundo quer a libertação de Assange e no Brasil pastores evangélicos continuam abusando de mulheres e crianças. O congresso nacional será transformado numa filial de igrejas evangélicas, com ou sem corrupção?
Justiça? Qual justiça? A que libertou o Moro? A que não pune os grandes corruptos do país?
Que tristeza, não, caro leitor?
Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.