MORO ESCREVEU RECADO DURO A SALOMÃO NA PRIMEIRA INTIMAÇÃO QUE RECEBEU DO CNJ; OFICIAIS LEVARAM 2 MESES PARA ENCONTRÁ-LO

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Bilhete antecipa parte da defesa que Moro fará perante o plenário do CNJ; saiba o que ele escreveu na intimação

Afeito às conduções coercitivas na Operação Lava Jato, o ex-juiz Sergio Moro não digeriu muito bem a primeira intimação que recebeu do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para prestar contas de sua atuação na 13ª Vara Federal de Curitiba.

No mesmo papel onde deveria dar ciência do recebimento da intimação, Moro escreveu um bilhete com recado duro ao corregedor nacional de Justiça, Luis Felipe Salomão. O hoje senador afirmou que está fora do alcance da Corregedoria, pois deixou de ser magistrado há 5 anos.

Salomão expediu a intimação em setembro de 2023, quando instaurou de ofício uma representação disciplinar contra Sergio Moro e a juíza Gabriela Hardt, por força da correição extraordinária que ocorreu na 13ª Vara Federal de Curitiba.

A correição identificou possíveis desvios e abusos cometidos no exercício dos dois magistrados. A representação é um procedimento preparatório para possível processo administrativo disciplinar, e pode abrir caminho também para ações na esfera criminal.

Na capital federal, Moro também deu trabalho. Entre as inúmeras tentativas fracassadas de intimá-lo, estão as que se deram na primeira semana de novembro, quando uma oficial de Justiça chegou a visitar o gabinete de Moro no Senado em quatro dias consecutivos. No quinto, Moro fez as malas e voltou para sua base no Paraná, deixando a oficia a ver navios.

Os fatos foram registrados e narrados ao CNJ em certidões que constam nos autos do processo contra Moro, ao qual o GGN teve acesso.

A oficial relatou que Moro nunca era encontrado em seu gabinete no Senado. A equipe de assessores informou que o ex-juiz participava de muitas audiências, votações ou trabalhos em comissões, e que não havia dado autorização para que ninguém recebesse a intimação em seu lugar.

Quando o plenário entrava em votações, o acesso ao público externo era fechado pela Polícia Legislativa, de modo que nem a oficial de Justiça conseguia acessá-lo, mesmo sabendo, em tese, onde Moro se encontrava.

 

No dia 22 de novembro de 2023 – cerca de dois meses após a intimação ter sido expedida – a oficial finalmente encontrou Moro, mas ele não recebeu a intimação por falta de documentos.

Em 23 de novembro, a oficial de Justiça retornou ao gabinete e Moro finalmente “exarou seu ciente, recebeu a contrafé, bem como a mídia eletrônica” que faltava.

Moro, então, rubricou as seguinte palavras destinadas a Salomão: “Corregedor do CNJ não tem jurisdição sobre pessoas não vinculadas ao Judiciário, com vínculo atual.”

A mensagem antecipa parte da defesa prévia que os advogados de Moro levaram aos autos. Em síntese, eles alegaram:

1- Que o CNJ não tem mais competência para julgar Moro na esfera administrativa, pois agora ele é senador;
2- Que as ilegalidades atribuídas a Moro na representação disciplinar são estritamente “atos jurisdicionais”, ou seja, decisões que o juiz tem direito de tomar sem interferência ou retaliação do CNJ;
3 – No mérito, que a pretensão punitiva já prescreveu e que “não houve qualquer infração disciplinar”.

Cintia Alves

Cintia Alves é graduada em jornalismo (2012) e pós-graduada em Gestão de Mídias Digitais (2018). Certificada em treinamento executivo para jornalistas (2023) pela Craig Newmark Graduate School of Journalism, da CUNY (The City University of New York). É editora e atua no Jornal GGN desde 2014.

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