ATOS CONTRA A DITADURA GANHARAM ÀS RUAS DAS CAPITAIS NESTE SÁBADO

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Manifestantes pediram ainda a prisão de Jair Bolsonaro, investigado por, supostamente, tramar um golpe de Estado


Crédito: Reprodução/ Redes sociais

A Central de Movimentos Populares (CMP) organizou 22 manifestações para lembrar os 60 anos do golpe que resultou na Ditadura Militar e para clamar pelo fim da anistia a golpistas. Além das maiores capitais, o movimento foi realizado também em Lisboa, em Portugal. 

Os encontros em Belo Horizonte, Fortaleza, Curitiba, Campo Grande e Recife foram realizados no período da manhã e estavam esvaziados. Em São Paulo o ato teve início às 15h, no Largo São Francisco, também com um público que não pode ser comparado aos 185 mil participantes do ato pró-Bolsonaro, realizado um mês atrás. 

Para Raimundo Bonfim, organizador dos atos e coordenador da CMP, a baixa adesão não é um problema. “É claro que vão querer fazer comparação, mas quem está no desespero é o lado de lá, que é o lado do fascismo e da extrema direita, porque o líder deles já está indiciado pela Polícia Federal”, afirmou. 

José Dirceu e José Genoino, líderes do PT, marcaram presença no ato de São Paulo. Em Belo Horizonte, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) também se juntou aos manifestantes. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) permanece em Brasília, não vai participar do evento e mandou cancelar  atos do governo em memória das vítimas do golpe militar. 

“O governo não quis promover ações e atos com alusão aos 60 anos do golpe, mas esse ato foi convocado pelos movimentos populares, e nós somos autônomos. E nós achamos importante marcar”, continuou Bonfim. 

Cadeia

“Ditadura nunca mais” e “Sem anistia” deveriam ser os bordões mais repetidos pelo público. Porém, contrariando a orientação dos organizadores, os participantes levaram cartazes e pediram ainda a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), investigado por tramar um golpe de Estado, entre outros crimes. 

“Isso poderia levar a interpretação de que nós estamos defendendo a prisão do Bolsonaro antes do devido processo legal e sem amplo direito à defesa. Mas obviamente que não resta dúvida para nós de que há provas robustas e incontestes do envolvimento dele nesse processo da tentativa de golpe”, continuou Bonfim.

Além do CMP, participaram das manifestações também os partidos de esquerda, as centrais sindicais e entidades, como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a União Nacional dos Estudantes (UNE).

Camila Bezerra

Jornalista

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