MAURO CID VAI SER OUVIDO POR JUIZ INSTRUTOR DO GABINETE DE MORAES POR ACUSAÇÕES CONTRA AO MINISTRO E A PF

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Ex-ajudante de ordens da Presidência deve ser ouvido por juiz ainda hoje, na tentativa de esclarecer acusações contra as instituições

Ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid. | Foto: Alessandro Dantas/PT no Senado

No início da noite de ontem (21), a Revista Veja publicou áudios atribuídos a Cid, em que ele diz que a PF tem uma “narrativa pronta” sobre os inquéritos contra ele, principalmente, no que diz respeito à tentativa de golpe de Estado, orquestrada por Bolsonaro, assessores e aliados militares de alta patente.

Segundo o ex-subordinado de Bolsonaro, em uma conversa com um interlocutor, a PF não estaria interessada em saber a verdade. “Eles (os policiais) queriam que eu falasse coisa que eu não sei, que não aconteceu”, disse o militar, que afirmou que “o Alexandre de Moraes é a lei. Ele prende, ele solta, quando ele quiser, como ele quiser. Com Ministério Público, sem Ministério Público, com acusação, sem acusação.” 

Outros casos contra Cid são referentes a venda de joias do acervo presidencial e falsificação de registros de vacina, no qual todos tem em comum o fato do ex-presidente também ser investigado, sendo que neste último a delação de Cid resultaram no indiciamento de Bolsonaro e mais dezesseis pessoas.

Delação em xeque

A partir da divulgação dos áudios, colunistas da grande mídia afirmaram que a PF pode reavaliar a delação premiada de Cid, homologada pelo STF em setembro de 2023. Desde então, o militar já foi ouvido seis vezes pelos investigadores.

Segundo a jornalista Andréia Sadi, no G1, fontes ligadas à investigação cogitaram em um primeiro momento chamar Cid para esclarecer os áudios, mas acharam melhor sugerir que o ex-ajudante de ordens seja ouvido pelo juiz instrutor, já que Cid os colocou sob suspeição.

Ainda, a avaliação dessas fontes é de que Cid só tem a perder, uma vez que a delação do ex-ajudante de ordens só corrobora com as demais provas já obtidas pela PF.

A própria reportagem da Veja aponta para a “postura esquizofrênica” do tenente-coronel, uma vez que os áudios dão a impressão “que há dois Cids diferentes na mesma pessoa“: o colaborador e o injustiçado.

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 8 anos. Graduada em Jornalismo pela Universidade de Santo Amaro. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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