PATRÍCIA FAERMANN: AUMENTO DO SALÁRIO MÍNIMO RECOMPENSARÁ PODER DE COMPRA PERDIDO NO GOVERNO BOLSONARO
MARACAIBO, VENEZUELA: People make long lines to buy groceries at a supermarket in Maracaibo, 14 December 2002. Personas hacen largas colas para comprar comida en un supermercado de Maracaibo, el 14 de Diciembre de 2002. Venezuela cumple 13 dias de huelga general que golpea la distribucion de alimentos e insumos de primera necesidad por la falta de trasporte debido a la escasez de combustible y tambien en prevision de un posible desenlace violento a la crisis que enfrenta la oposicion al gobierno de Hugo Chavez. AFP PHOTO/Andrew ALVAREZ (Photo credit should read ANDREW ALVAREZ/AFP via Getty Images)
Aumento para R$ 1.412 em 2023 pelo governo Lula “mais do que compensa” a perda durante governo Bolsonaro, mostra DIEESE
Nos últimos três anos do governo de Jair Bolsonaro, não houve aumento real do salário mínimo, sendo que os ajustes apenas visaram acompanhar a inflação.
“Em 2020, o valor [o salário mínimo] praticamente não foi alterado. Em 2021, não houve incorporação de qualquer ganho real, exceto por reflexo do pequeno arredondamento para o valor de R$ 1.100,00. Para 2022, o ocorrido no ano anterior se repetiu: o salário mínimo não teve aumento real, somente acompanhou a inflação medida pelo INPC.”
“Em 2023, foi fixado o valor de R$ 1.302,00, que significou aumento real de 1,41% no piso nacional. Como o valor para 1º de maio foi alterado para R$ 1.320,00 e a variação do INPC foi de 2,42% no quadrimestre janeiro-abril, o reajuste de 1,38% não foi capaz de recompor o poder de compra fixado em 01/01/2023”, trouxe a nota técnica do órgão.
Segundo o DIEESE, o reajuste fixado por Lula para janeiro de 2024 “mais do que compensa essa perda ocasional, resultando em ganho real de 5,77% em relação a maio de 2023”.

O documento busca analisar como os reajustes do salário mínimo, ainda que repondo os dados da inflação, acompanham ou não o poder de compra.
“Mesmo com reposição da inflação, houve perda do poder de compra em relação aos preços dos alimentos, que tiveram aumento considerável e pesam muito no orçamento familiar da classe trabalhadora”, explica a nota.
De acordo com o Departamento, 59,3 milhões de brasileiros têm a remuneração com base no salário mínimo. Na prática, esse reajuste representará um incremento de R$ 69,9 bilhões de renda na economia do país.

Poder de compra pela cesta básica
Uma das formas de se calcular o poder de compra é pelo custo da cesta básica. O DIEESE mostra que, em maio de 2023, a cesta básica valia R$ 791,82. “Assim, o salário mínimo nacional de R$ 1.320 tinha, naquele momento, poder de compra equivalente a 1,67 cestas básicas”.
“Em 1º de janeiro, estimando uma cesta com valor de R$ 772,98, o salário mínimo poderá comprar 1,83 cesta básica”, calcula. E acrescenta: “A quantidade de 1,83 cesta básica é a maior desde setembro de 2020”.

Reajuste ajudará servidores públicos nordestinos
Outra revelação do DIEESE é que se olhada a administração pública, pouco influencia o aumento do salário mínimo para carreiras federais e estaduais, já os servidores municipais, principalmente do Nordeste do Brasil, se veem impactados por esse reajuste.
São 23.8% os servidores públicos municipais do Nordeste e 18,82% do Norte que recebem até o salário mínimo, enquanto que nas esferas federais essas porcentagens são de 1,78% e 0,78%, respectivamente. E os servidores municipais de outros estados também tem a minoria recebendo até o salário mínimo.

