COLÔMBIA: TRABALHADORES PEDEM SUSPENSÃO DE EXPORTAÇÕES DE CARVÃO A ISRAEL POR GENOCÍDIO EM GAZA

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PALESTINIAN-ISRAEL-CONFLICT

EDITORS NOTE: Graphic content / A Palestinian man carries an injured a girl following an Israeli strike, in Khan Yunis in the southern Gaza Strip on October 14, 2023, as fighting between Israel and the Hamas movement continues for the eighth consecutive day. Thousands of people, both Israeli and Palestinians have died since October 7, 2023, after Palestinian Hamas militants based in the Gaza Strip, entered southern Israel in a surprise attack leading Israel to declare war on Hamas in Gaza on October 8. (Photo by YASSER QUDIH / AFP)

Produto é líder de vendas aos israelenses e rendeu à Colômbia US$ 1 bi em 2022; sindicatos de vários países fazem apelos

Lucas Estanislau
Caracas (Venezuela) |

 

Hostilidades começaram no dia 7 de outubro e já deixaram mais de 11 mil mortos – Jack Guez/AFP

O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria do Carvão da Colômbia (Sintracarbón) propôs ao governo do presidente Gustavo Petro interromper todas as exportações de carvão e qualquer outro mineral a Israel em represália aos ataques à Faixa de Gaza, que começaram em outubro e já deixaram mais de 11 mil pessoas mortas.

Em comunicado publicado no início do mês de novembro, o Sintracarbón rechaçou “qualquer ação que fira civis, ainda mais crianças, idosos e mulheres que estão sendo massacrados pela resposta do governo israelense à infame e covarde ação de um grupo que não representa a totalidade do povo palestino”.

A entidade ainda elogiou a postura do mandatário colombiano de criticar as hostilidades no Oriente Médio e pediu que Petro “suspenda os envios de carvão colombiano e de qualquer metal ou minera a Israel como medida de pressão para que se produza um cessar-fogo imediato”.

“Convocamos o movimento sindical mundial, especialmente os sindicatos do setor mineiro e energético, para que paremos a produção de metais, minerais e combustíveis que são utilizados nestas guerras”, afirmou o sindicato.

Atualmente, o carvão mineral é o produto mais vendido da Colômbia para Israel e as exportações minerais energéticas representam a maior parte do envios. Em 2022, o país sul-americano exportou mais de 1 bilhão de dólares a Israel, cifra recorde dos últimos 10 anos que foi puxada em quase sua totalidade pelas vendas de carvão mineral.

As exportações no setor aumentaram ainda mais a partir de 2020, quando entrou em vigor um tratado de livre comércio assinado pelo ex-presidente Juan Manuel Santos com o governo israelense em 2015, que retirou impostos e taxas das exportações colombianas.

 

Petro, por sua vez, ainda não comentou a proposta do sindicato nem deu sinais de que poderia adotar tal medida. Apesar disso, o presidente tem sido duro em sua condenação aos ataques israelenses à Faixa de Gaza e já ameaçou romper relações com Israel.

A Colômbia e o Chile foram países da América do Sul que convocaram seus embaixadores em Israel para consultas, ato de desagravo no meio diplomático. Já a Bolívia decidiu romper relações com Israel por considerar a ação do país contra Gaza “agressiva e desproporcional”.

Sindicatos pelo mundo se pronunciam

A manifestação do Sintracarbón colombiano veio em conjunto com diversas ações tomadas por outras categorias ao redor do mundo. Na Espanha, o sindicato dos estivadores de Barcelona afirmou que não participará de envios de material bélico que saiam dos portos da cidade em direção a Israel.

 

Na Bélgica, quatro sindicatos do setor dos transportes chegaram a pedir que seus filiados não participem de operações que envolvam carregamento e envio de armas ao território israelense.

Manifestações de solidariedade ao povo palestino e apelos a um cessar-fogo também foram feitos por outras entidades sindicais pelo mundo, como o Conselho de Sindicatos da Índia, o Sindicato da Indústria Automobilística dos EUA (UAW) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Brasil.

Edição: Leandro Melito

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