A BRAVURA INTELECTUAL DO ESCRITOR JUDEU NORMAN FINKELSTEIN AO DENUNCIAR OS CRIMES DE ISRAEL
por Kiko Nogueira
Norman Finkelstein
Um vídeo de 2008 de uma palestra do cientista político judeu Norman Finkelstein viralizou nas redes com o massacre de Israel em Gaza.
É um monumento de coragem intelectual e bravura moral. Ele tem “chutzpah” — a palavra em iídiche para “audácia” ou “atrevimento”.
Você não verá nada remotamente parecido com isso na academia brasileira, onde professores fogem de alunos em universidades e ainda saem bravateando que “olharam o fascismo nos olhos”, ou qualquer idiotice parecida.
Finkelstein responde a uma acusação de antissemitismo feita por uma jovem emocionada na plateia. “Durante o seu discurso, você fez várias comparações aos judeus e também a certas pessoas aqui na plateia — não os judeus em geral, mas sobretudo os que estão aqui na plateia — com nazistas. Isso é extremamente ofensivo para as pessoas que são alemãs e também para as pessoas que sofreram sob a guerra nazista”, ela reclama.
Finkelstein vai na medalhinha: “Eu não respeito mais isso. As lágrimas de crocodilo. Meu falecido pai foi enviado para Auschwitz. Minha falecida mãe foi enviada para o campo de concentração de Majdanek. Todos os membros da minha família, de ambos os lados, foram exterminados. Os meus pais participaram do Levante do Gueto de Varsóvia. E por causa das lições que meus pais ensinaram, eu não vou ficar em silêncio enquanto Israel comete seus crimes contra os palestinos. Usar o sofrimento e o martírio deles para tentar justificar os crimes de Israel é desprezível. Se você tivesse um mínimo de compaixão, estaria chorando pelos palestinos. Não por você mesma.”
Nascido em Nova York, graduado em ciências sociais pela Universidade de Nova York e doutor em Ciência Política pela Universidade Princeton, Filkelstein incomoda o establishment há décadas. Antissionista, é autor de “A indústria do Holocausto”. Foi expulso da Universidade DePaul, em Chicago, e, em 2008, proibido de entrar em Israel, restrição que durou até 2018.
A acusação é a preferida dos covardes: antissemitismo (cascata). Escreveu também “Peace, Not Apartheid” (“Paz, Não Apartheid”), “The Ludicrous Attacks on Jimmy Carter’s Book” (“Os Ataques Ridículos ao Livro de Jimmy Carter”) e “Beyond Chutzpah: On the Misuse of Anti-Semitism and the Abuse of History” (“Além da Audácia: Sobre o Uso Indevido do Antissemitismo e o Abuso da História”).