PARA CAMPANHA DE LULA, ELEITORES REJEITAM “PORRADARIA” BOLSONARISTAS NA CAMPANHA; EVANGÉLICOS ESTÃO “CANSADOS”
Avaliação do antropólogo Juliano Syper, ouvido por Andréia Sadi, é de que evangélicos podem “lavar as mãos”, abandonar Bolsonaro e considerar o voto nulo
247 – Pesquisa Ipec (BR-01390/2022) divulgada nesta segunda-feira (12), apontando para uma vitória do ex-presidente Lula (PT) já no primeiro turno da eleição presidencial, levou definitivamente o clima de derrota para dentro da campanha de Jair Bolsonaro (PL).
Segundo Andréia Sadi, do g1, o bom desempenho de Lula na pesquisa, de acordo com a campanha do petista, pode estar relacionado a uma preferência dos indecisos pelo ex-presidente: “a variação positiva dentro da margem de erro pode ser um movimento de eleitores indecisos”.
Além de terem se esgotado os benefícios esperados pelos bolsonaristas em decorrência do Auxílio Brasil turninado de R$ 600, a avaliação entre a campanha de Lula é de que o eleitorado rejeita a “porradaria” promovida pelo chefe do governo federal e seus aliados na campanha eleitoral.
A equipe do ex-presidente resgata uma frase do marqueteiro Duda Mendonça para explicar tal fenômeno eleitoral: “quem bate perde”. Para o QG de Lula, Bolsonaro e seguidores “estão batendo muito, abaixando o nível” da disputa, relata Sadi.
A “porradaria” bolsonarista, dizem os interlocutores de Lula, “é boa para a torcida organizada”, mas afasta o eleitor indeciso: “se o indeciso gostasse de agressividade já estava com Bolsonaro”.
Mais um “trunfo” de Lula é o apoio agora declarado da ex-ministra Marina Silva (Rede-SP) à sua candidatura. Além de ajudar a atrair votos de indecisos e da classe média, ela também dialoga com os evangélicos.
Ouvido por Andréia Sadi, o antropólogo Juliano Syper, criador do observatório evangélico, diz que há um “cansaço” entre o segmento, associado à politização e à postura de Bolsonaro, agressiva.
Assim, os evangélicos consideram “lavar as mãos” e anular seus votos. “A ideia de que ‘nenhum candidato me representa'”, explica. “Ele lembra que o último Datafolha aponta que 21% dos evangélicos não querem nem Lula nem Bolsonaro”, diz a jornalista.