SEM APOIO DO EXÉRCITO BRASILEIRO PARA PROCURA DE DOM PHILLIPS E BRUNO PEREIRA, ASSOCIAÇÕES PEDEM AJUDA DA EMBAIXADA DO PERU

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DESAPARECIDOS NA AMAZÔNIA

Embora digam que estão auxiliando, militares não são vistos em buscas e não se articulam com associações indígenas, que viraram alvo da Funai, presidida por delegado bolsonarista. Peru sinaliza apoio.

Dom Philips e Bruno Pereira.
Créditos: Montagem/Reprodução/Redes Sociais

Por Plinio Teodoro

BRASIL- 11/6/2022 ·

A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), juntamente com a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e o Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (OPI Isolados), divulgaram nota nesta sexta-feira (10) sobre um pedido à embaixada do Peru no Brasil para auxílio nas buscas do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, que desapareceram na região do Vale do Javari, no Amazonas.

A área é fronteira com a chamada Amazônia Peruana, onde deve se concentrar as buscas nos próximos dias.

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“Em poucas horas recebemos resposta do embaixador, que manifestou sua inquietação com o desaparecimento, expressou o interesse no acompanhamento dos fatos divulgados pela mídia nacional e internacional e informou que transmitiu imediatamente a nossa solicitação às autoridades peruanas”, diz a nota.

Segundo as associações, a solicitação foi feita devido à atuação transnacional dos agentes criminosos potencialmente envolvidos nas circunstâncias do desaparecimento de Bruno e Dom.

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Apesar do Exército brasileiro dizer que está apoiando as buscas, reportagem de Vinicius Sassine, da Folha de S.Paulo, que está na região, afirma que “no período (entre 9h e 14h de sexta, 10) e nos locais (até o trecho do rio a 40 minutos de barco do posto da Funai) onde a Folha acompanhou os movimentos de buscas feitos pelos indígenas, nenhum barco do Exército estava atuando para localizar vestígios”, que as embarcações militares ficam apenas no porto de Atalaia do Norte, de onde saem os barcos, e que “não há articulação do Exército com os indígenas, que conhecem a região”.

Ataques de bolsonarista da Funai
A Univaja, que realiza as buscas, ainda virou alvo da Funai após divulgar que Bruno e Dom teriam recebido aval do órgão para incursão na região.

Em nota divulgada nesta sexta-feira (10), o órgão, que é presidido Marcelo Augusto Xavier da Silva – um delegado da Polícia Federal com ligações com ruralistas que foi escolhido por Jair Bolsonaro em 2019 -, diz que apenas Bruno tinha autorização para entrar na área e até dia 31 de maio deste ano.

“Quanto a Dom Phillips, não há sequer menção ao nome dele na solicitação de ingresso citada pela Univaja”, diz a Funai, que afirma que vai “acionar o Ministério Público Federal (MPF) para que seja apurada a responsabilidade da Univaja quanto à possível aproximação com indígenas de recente contato sem o conhecimento da instituição”.

Também nesta sexta, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF) acatou uma denúncia das associções e determinou que o governo federal adote todas as medidas necessárias para encontrá-los.

As organizações Indígenas fizeram um pedido ao STF nesta quinta-feira (9) à noite para cobrar o empenho das instituições federais responsáveis pelas buscas.

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