O presidente de Cuba, Miguel Diaz-Canel, no Dia do Trabalho |Crédito: Norlys Perez/Pool/AFP
Os Estados Unidos têm elevado o tensionamento e até as ameaças contra Cuba. A ilha vive em meio ao agravamento de tensões nos últimos meses, com sanções mais rígidas e um processo de asfixia energética promovido pelo governo Donald Trump. As recentes declarações de ataques à gestão cubana dão o tom da elevação dessa tensão entre os países.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Regiane Nitsch Bressan, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que a avaliação é que o país está preparando terreno para uma eventual invasão ou uma ação mais direta de ingerência. “Estamos entendendo que existe, sim, uma ameaça real à ilha. E possivelmente Donald Trump deve tentar tomar a ilha de alguma forma, ou seja, tentar interferir, algum tipo de ingerência. Não é possível saber quando e nem de que forma isso acontecerá, mas é fato que tem feito ameaças constantes. A situação da Venezuela confirma esse interesse estadunidense de ter uma preponderância na América Latina”, explica.
Contudo, Bressan lembra que, diferentemente do que aconteceu na Venezuela, a resistência a uma eventual invasão será muito mais aguda. “Seria uma situação muito difícil, que poderia levar a um conflito ainda maior se pensarmos que Cuba historicamente é um país aliado à Rússia e tem uma relação mais cordial com a China. Um conflito armado pode levar esses parceiros a atuarem no conflito. Não obstante, sabemos que a Rússia está envolvida com a guerra na Ucrânia ao mesmo tempo que a gente tem visto Trump querendo marcar a América Latina como território de influência dele”, aponta.
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