VORCARO OFERECE R$ 40 BI E POLÍCIA FEDERAL EXIGE R$ 60 BI PARA DESEPERRAR DELAÇÃO
Publicado por Laura Jordão
Vorcaro propôs devolver cerca de R$ 40 bilhões em dez anos. O valor e o prazo desagradaram autoridades envolvidas na negociação. Integrantes da apuração avaliam que o dano não pode ser tratado como item negociável e que a recomposição precisa ocorrer em período menor.
A proposta de colaboração foi entregue pela defesa à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República no início de maio. A etapa antecede a discussão sobre benefícios, devolução de recursos e eventual validação do acordo pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF.
O prazo de dez anos é visto com resistência por causa de precedentes da Lava Jato e da J&F. Depois de acordos bilionários, empresas passaram a discutir valores ou tentar reduzir e suspender pagamentos na Justiça. No caso do Master, há um agravante: o banco foi liquidado e não há mais uma operação financeira capaz de sustentar pagamentos futuros.

Para demonstrar boa-fé, Vorcaro teria que indicar onde estão os recursos e como pretende devolvê-los. Investigadores esperam informações sobre dinheiro em paraísos fiscais, fundos, imóveis, aviões, obras de arte e outros bens. Os custos da quebra do Master já superam R$ 57 bilhões, e só o ressarcimento a clientes pelo Fundo Garantidor de Créditos é estimado em R$ 51,8 bilhões.
A devolução do dinheiro não é o único entrave. Autoridades também avaliam que os anexos apresentados até agora são frágeis e não trariam fatos novos relevantes além do material já obtido pela PF. Na visão desses investigadores, se Vorcaro apenas contextualizar episódios já conhecidos ou repetir dados apreendidos, a colaboração corre risco de não avançar.
A PF tem avançado em novas fases da Operação Compliance Zero, o que aumenta a pressão sobre Vorcaro para apresentar provas robustas. Outro investigado, Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro, também estaria disposto a negociar colaboração, o que reduz o poder de barganha de Vorcaro.
Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, quando tentava embarcar no aeroporto de Guarulhos, e voltou a ser detido em março, por ordem do STF. Com a mudança de estratégia, ele terá que confessar condutas criminosas, detalhar os fatos e apresentar provas capazes de sustentar a narrativa aos investigadores.