ORÍENXADIGMA
Exposição itinerante em BH destaca ancestralidade negra por meio de enxadas, fotos e gravuras
Obras fazem parte de uma parceria entre os artistas Babilak Bah e Fernando Costa; abertura será realizada dia 30 de maio
- BELO HORIZONTE (MG)
- LUCAS WILKER
O projeto Oríenxadigma, parceria entre os artistas Fernando Costa e Babilak Bah, inicia no próximo sábado (30) uma exposição itinerante em Belo Horizonte, que busca descentralizar a produção artística rumo a territórios periféricos.
O projeto circula por quatro regionais: Venda Nova (Centro Cultural Venda Nova), Norte (Lagoa do Nado), Noroeste (Centro Cultural Padre Eustáquio) e Nordeste (Centro Cultural Usina da Cultura). A abertura, no dia 30 ocorre no Centro Cultural Venda Nova, às 14h30. A entrada é gratuita.
O que é a obra?
Entre enxadas de Babilak e atabaques e gravuras de Costa, que guardam o pulsar de Orí, conceito yorubá que compreende a cabeça como morada do destino e portal para os antepassados, nasce, então, Orienxadigma, uma exposição que tece, em ferro, papel, tecido e tinta, a memória viva da diáspora africana em Minas Gerais e ao mesmo tempo celebra a ancestralidade afrodiaspórica.
Para compreender melhor a exposição e os trabalhos artísticos dos dois, o Brasil de Fato MG entrevistou os artistas, que falaram sobre processo criativo, relações da produção artística com lutas políticas e mais.
Confira a programação completa e, logo abaixo, a entrevista exclusiva:
Exposição Oríenxadigma, com Fernando Costaa e Babilak Bah
Entrada gratuita.
Centro Cultural Venda Nova
Período: 30 de maio a 30 de junho
Endereço: Rua José Ferreira Santos, 184 – Jardim dos Comerciários – Venda Nova
Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional (Lagoa do Nado)
Período: 04 de julho a 04 de agosto
Endereço: Rua Ministro Hermenegildo de Barros, 904, Itapoã
Centro Cultural Padre Eustáquio
Período: 12 de setembro a 05 de outubro
Endereço: Rua Jacutinga, 550 – Padre Eustáquio
Centro Cultural Usina da Cultura
Período: 07 de novembro a 07 de dezembro
Endereço: Rua Dom Cabral, 765 – Ipiranga
Oficina “Plantas Afrodiaspóricas” com Fernando Costaa
Ministrada por Fernando Costaa
Data: 20 de junho
Local: Centro Cultural Venda Nova
Endereço: Rua José Ferreira Santos, 184 – Jardim dos Comerciários – Venda Nova
Horário: 10h às 12h
A inscrição será realizada via formulário disponibilizado no Instagram: @orienxadigma
Oficina “Ritmo, Corpo e Palavra” com Babilak Bah
Data: 25 de julho
Local: Centro de Referência da Cultura Popular Lagoa do Nado
Endereço: Rua Ministro Hermenegildo de Barros, 904, Itapoã
Horário: 10h às 12h
A inscrição será realizada via formulário disponibilizado no Instagram: @orienxadigma
Oficina “Plantas Afrodiaspóricas” com Fernando Costaa
Data: 14 de novembro
Local: Centro Cultural Usina da Cultura
Endereço: Rua Dom Cabral, 765 – Ipiranga
Horário: 10h às 12h
A inscrição será realizada via formulário disponibilizado no Instagram: @orienxadigma
Palestra com Leda Maria Martins
Data: 20 de novembro, Dia da Consciência Negra
Local: Centro Cultural Usina Da Cultura
Endereço: Rua Dom Cabral, 765 – Ipiranga
Horário: 10h às 11h30
Entrevista
Brasil de Fato MG – É muito marcado que essa exposição, OriEnxadigma, nasce de encontros cotidianos. Vocês falam das conversas no transporte público, das vivências nos pontos culturais, etc. Como foi um pouco o início desses diálogos?
Fernando Costa: Eu e o Babilak moramos no mesmo bairro, que é o bairro Trevo, na Pampulha, e acaba que casualmente, muitas vezes, a gente se encontra no ônibus do nosso bairro, que vai até a Estação Pampulha. Foram inúmeras vezes, tanto na ida quanto na volta, que a gente se trombou casualmente e fomos papeando nessas viagens.
Eu já conhecia o Babilak há algum tempo na cena artística da cidade, já inclusive tinha feito oficina com ele há muitos anos. Então, acompanho o trabalho do Babilak há algum tempo. Passado algum tempo, fui conhecendo o trabalho dele também em escultura, o trabalho tridimensional dele. Fui achando aquilo super legal e achando que dialogava bastante com as coisas que eu investigava na minha pesquisa de artes visuais.
A minha formação é em geografia e artes visuais. Atualmente, estou mais focado nas artes visuais. Fui vendo que esse trabalho que eu estava construindo, essa poética, tinha um diálogo super interessante com o trabalho do Babilak, que tem uma pegada afrodiaspórica, que trabalha com essas simbologias do universo afrodiaspórico. O meu também, mas por uma outra perspectiva. E como o meu trabalho é bidimensional, eu achei que ficaria uma complementaridade interessante o trabalho bidimensional com o trabalho tridimensional do Babilak.
Babilak: Nesses encontros no ônibus, a gente ia afinando as conversas, o diálogo, e dentro do próprio ônibus, uma vez, ele falou: “Vamos fazer um trabalho juntos?”. Eu falei: “Vamos”. Quando surgiu essa possibilidade desse edital, o Fernando me fez a proposta e eu disse: “Então, vamos juntos”. Começamos a redigir o projeto, onde se deu uma maior interação a partir dessa elaboração. Fomos nos aproximando cada vez mais e percebendo que, mesmo trabalhando com materiais distintos, ali eram dois homens negros urbanos, afrodiaspóricos, mas que tinham uma busca ancestral, uma busca, vamos dizer também, espiritual.
Fomos afinando cada vez mais nessa busca estética também e se deu essa ideia feliz de criar o Oríenxadigma.
A ideia é discutir uma cosmovisão afrodiaspórica com orixás e ancestralidade. Queria que vocês contassem um pouco melhor sobre isso.
Babilak: No meu trabalho, eu tenho um caráter muito político. A enxada entra no meu trabalho em uma perspectiva muito política e, no aspecto ancestral, eu remeto muito à minha mãe. A minha mãe era paraibana e nasceu em uma cidade onde nasceram as Ligas Camponesas. Faço essa ligação da Liga Camponesa com a religiosidade no aspecto da justiça, que é o Xangô.
Em um trabalho antigo, chamado “Oguns Cabeceleiros”, eu faço essa aproximação desses dois orixás, Xangô e Ogum. É sempre numa perspectiva de buscar essa justiça na luta quilombola, na luta pela terra, o direito à terra do homem negro, que é uma problemática no nosso país e na América. O meu trabalho mapeia muito esse aspecto cultural e da linguagem da religiosidade africana.
Fernando: É interessante porque o título da exposição é uma junção: Orí com Enxadigmas. A palavra Orí tem relação com o meu trabalho, pois construí uma série de trabalhos que são chamados de Origrafias. O Orí é um conceito iorubá. Dentro da cosmovisão iorubá, o Ori seria o nosso orixá de cabeça. Antes dos outros orixás, vem o nosso próprio orixá. Esse Ori seria a nossa conexão com a nossa ancestralidade e com o nosso destino. Antes de saudar qualquer orixá, nós devemos saudar o nosso próprio Orí em primeiro lugar. É a partir desse pensamento do Ori que a gente vai se conectando também com os outros orixás.
Dentro do trabalho, eu vou trazendo a Origrafia. Grafia é um termo que significa escrita, e Orí significa cabeça. Então, são várias cabeças. Dentro da nossa cabeça também tem várias cabeças que vieram antes. É um trabalho que lida com memória também. O Babilak está falando sobre essa coisa da luta pela terra e território. Eu acho que no Brasil a questão do negro tem uma questão de território também, de construção de territórios. Acho que é o que nós estamos tentando construir também. O nosso território é a partir de uma discussão de memória, de lutas. Essa cosmovisão afrodiaspórica que estamos trazendo no trabalho é como se fosse a filosofia que dá as raízes que sustentam a construção desse trabalho estético e político. A nossa busca não é só uma questão espiritual. O espiritual é uma base para se fazer as outras lutas também.
Aparece uma questão muito forte também, por exemplo, a luta contra a mineração, o passado colonial. Em Minas Gerais, a gente sabe que tem uma luta muito forte contra a mineração desenfreada e estamos em um ano de eleições, sobretudo. Queria entender de vocês qual é a importância de fazer uma discussão, a partir da arte, de questões que são tão importantes para o nosso estado.
Fernando: Eu acho que a questão da mineração no estado de Minas Gerais continua sendo a base da economia e também da questão política do estado. Só vieram pessoas pretas para Minas Gerais por conta da mineração, principalmente. Para fazer esse trabalho pesado, eles tiveram que trazer a mão de obra escravizada. Essa memória da escravidão continua presente no nosso estado e está vinculada à mineração até hoje. A gente vê o que aconteceu em Mariana, em Brumadinho, as cidades de interior como Conceição do Mato Dentro, a Serra do Cipó, que virou o alvo também da mineração atualmente.
Não se pode discutir a questão do negro sem pensar na questão da mineração no estado. São duas questões que estão intimamente vinculadas. Combater o pensamento racista e escravocrata é, de certa forma, também combater esse pensamento que a mineração até hoje continua desenvolvendo. Hoje não são só os corpos que estão sendo destruídos, são também os territórios, a natureza, espécies, rios que estão sendo destruídos. No meu pensamento, a mineração é uma questão a ser pensada, discutida e combatida. Inclusive, tem um trabalho que eu trago para essa exposição, que é uma cabeça da cultura iorubá, que vai ser feita de minério. É como essa questão está presente na nossa discussão.
Babilak: Eu tenho até uma obra que se chama Minas e as Mineradoras, que não está nessa exposição, na qual eu discuto tudo isso que o Fernando colocou: dessa exploração do trabalho escravo, dessa destruição da natureza, da memória e do ser humano que está trabalhando nesses ambientes, nesses territórios onde a vida é muito explorada, em um trabalho quase escravo.
Vocês vão exibir na exposição 20 obras, dez de cada um de vocês. Queria que vocês explicassem como foi esse processo de seleção. Existe um acervo maior, mas que vocês fizeram essa seleção especificamente para essa exposição. Como foi o processo de seleção dessas obras?
Babilak: Em relação às minhas obras, as que entraram nesse trabalho junto com o Fernando são as minhas obras seminais, as primeiras obras que eu fiz. São obras muito caras no meu afeto, porque foram elas que me deram todo o impulso para elaborar os trabalhos que venho desenvolvendo hoje.
Quando o Fernando me fez o convite, eu falei: “Fernando, eu tenho umas obras que deram origem à minha pesquisa Enxadigma”. Hoje o meu trabalho está em uma outra poética, apesar de o objeto ser a enxada e o ferro. Quando o Fernando me fez a proposta, eu tinha um conjunto de obras que são muito caras para mim, tenho um carinho e um afeto incríveis por elas. Fiz uma seleção dialogando a partir do que o Fernando foi colocando, uma seleção que cria esse diálogo com o trabalho dele. Têm muitas coincidências e confluências entre a minha trajetória artística, poética e musical com esses trabalhos que o Fernando desenvolve, do Orí.
Fernando: Foi um processo que nós desenvolvemos com autonomia e uma troca que eu achei leve, porque foi uma coisa de liberdade de cada artista achar dentro da sua produção aquilo que convinha para a proposta. Fizemos um pequeno exercício de liberdade e troca nessa curadoria. Tivemos a preocupação com um conjunto que tenha uma unidade, tanto as obras do Babilak, quanto as minhas, e que esses dois blocos dialoguem no espaço expositivo dos centros culturais.
Babilak: Exatamente. Tivemos a relação do coletivo para construir essa intimidade na linguagem, na convivência e na construção dessas entrevistas, de todo o processo de fotografia e divulgação. O trabalho foi se ampliando para além das obras, não é, Fernando?
Como é o processo criativo de vocês dois?r.
Babilak: Como eu lido com várias linguagens, com a música, com a literatura e as artes visuais, a arte entra como uma expansão da minha linguagem. Cada momento é diferente. A maneira como eu faço música ou como eu escrevo são situações diferentes. São maneiras de me expressar com o mundo.
Costumo dizer que sou um homem atormentado, então essa é uma maneira de apaziguar os meus tormentos em relação ao mundo. O meu processo criativo se dá como uma forma de apaziguar os meus tormentos com a vida, com o mundo. Às vezes eu recebo uma notícia, isso provoca um sentimento, e vou criar a partir dessa minha relação com o mundo, com os tormentos que o mundo vai me provocando. Trabalho muito numa perspectiva ideológica e política, que é essa questão do território, da terra, quilombola.
E o próprio Enxadigma, ao mesmo tempo em que é um enigma, porque não sei por que trabalho com a enxada, é um paradigma estético que estou criando e com o qual estou contribuindo para essa estética negra na América, na diáspora, no Brasil, em Minas Gerais. Seria um enigma e um paradigma.
Fernando: Atuei por dez anos como professor na educação pública. Tive todo um trabalho com alunos de periferia, com pessoas pretas, todo um caldo cultural periférico. Fui pensando recentemente sobre isso: eu trabalho com cabeças, de fato, corpo e cabeça. A nossa cabeça está ali, produzindo e recebendo ideias no meio artístico. A gente é atravessado por muitas referências, inquietações, influências de outros artistas, trocas, eventos. Eu também tenho um trabalho como curador, então são muitas questões que vão chegando.
Mas, no trabalho artístico em si, a gente tem que trabalhar uma questão de síntese, de condensação. É um trabalho de lidar com o caos e com a ordem. Ordenar as coisas ali na obra sempre é complexo, é recortar, acrescentar. É um trabalho de edição do mundo na obra, o que é bem prazeroso, mas é atormentador às vezes. O Babilak falou dos tormentos. Todo artista tem, porque faz parte do ofício.
No meu caso específico, como artista visual atual, tem a questão do ateliê. Trabalho no ateliê e, à medida que a gente vai se formando, vemos que o ateliê é como um laboratório. Precisamos estar ali produzindo, experimentando, reconfigurando o que já foi feito. No caso específico da exposição, tem uma obra minha que não vai ter como expor em Venda Nova e na Lagoa do Nado, porque vamos fazer a exposição na área externa e o trabalho é em papel. Acabou que eu tive que produzir outros trabalhos que eu queria também para reverberar um pouco dessa relação com o Babilak, com as discussões e tudo. As três obras com as quais substituí essa já vêm pensando um pouco nessas interferências da relação com o Babilak e com a construção desse projeto.
Você está mencionando a questão da sala de aula, como a sua experiência deságua um pouco na sua arte. Eu queria levar a discussão também para a geografia. O que há de mais fundamental da geografia que você está levando para esse trabalho artístico? Você disse que ficou muito tempo dando aula, mas que hoje o seu trabalho está mais centrado na arte. Mas a geografia ainda passa por tudo o que você faz hoje? Como é isso?
Fernando: É bem interessante isso, porque inclusive tenho o desejo de conhecer a Nigéria, que é o país berço da cultura iorubá. Acaba que a geografia nunca sai, a começar pelo título: Origrafias. Já é uma derivação da geografia. E esse pensamento é geopolítico também. Na geografia, que era o meu campo de maior atuação com a geopolítica, eu sou uma pessoa ainda muito antenada nas questões geopolíticas do mundo. Inclusive, a partir desse pensamento geopolítico, eu me posiciono como um artista do Sul Global. A minha identidade atual já tem a ver com esse pensamento geográfico e geopolítico. Posicionar-se como artista do Sul Global leva também à construção de um pensamento que traz a periferia para a discussão. Quando levamos a exposição para centros culturais mais periféricos, não todos, nosso pensamento leva essa arte para a periferia, é uma forma de trabalhar a geopolítica na nossa realidade, que também traz as contradições, por exemplo, de a arte estar sempre focada no centro.
Se você for observar, a região que tem mais equipamentos culturais na cidade é a Centro-Sul, que são os espaços de maior visibilidade, com maior mídia. Quando os artistas negros e periféricos começam a olhar para a periferia também como espaço de atuação artística, como espaços privilegiados de produção artística e de criação de subjetividades, eu vejo o meu pensamento geográfico e o meu lado educador atuando. Porque acho que estou analisando a minha realidade em relação a uma realidade maior, que é global.
Babilak, como arte-educador, você criou o coletivo musical Trem Tantã, que tem uma importância muito grande, sobretudo para a luta antimanicomial, no dia 18 de maio. Temos muitos desafios no que diz respeito à saúde mental. Qual sua relação com essa luta?
Babilak: Vou lançar o meu livro, “Uma Clínica de Instantes Inusitados”, publicado há dois anos, no qual abordo a minha metodologia de trabalho na saúde mental com arte, música, literatura, corpo e outras traquinagens do campo da linguagem. O dia 18 de maio tem um desfile que será muito bacana com o Trem Tantã, e estamos nos organizando para fazermos uma discussão com a Cultivarte, que é uma associação de usuários e familiares da saúde mental de Contagem, onde faremos um debate sobre cultura, família, trabalho cooperativo e luta antimanicomial.
De maneira geral, da expectativa com essa exposição nova, vocês esperam dialogar com o público?
Fernando: A ansiedade começa a aumentar à medida que vai chegando mais próximo, porque já estamos trabalhando neste projeto há uns seis meses. Em relação ao diálogo com o território de Venda Nova, na abertura, o Babilak vai fazer uma ativação da exposição, que é aquele trabalho que precisamos fazer para condensar o axé no espaço. No dia 20 de junho, vou ofertar a oficina “Plantas Afrodiaspóricas”, na qual discutiremos a questão dessas plantas do universo afrodiaspórico.
Muitas vezes, as pessoas conhecem o poder daquela planta, têm toda uma história com ela, mas não se atinam para o fato de que ela tem uma história humana junto dela. A oficina é um exercício de observar, de conversar, de historicizar e geografizar essas plantas. Trazer os saberes das pessoas para dentro da oficina e produzir impressões que ficam bem bonitas. É uma oficina com a qual eu já trabalho há algum tempo. A princípio seria isso, mas tenho a ideia de convidar, mais para o final da exposição, artistas e estudantes da Escola de Belas Artes para fazer uma roda de conversa aberta ao público e discutir essas questões de arte, periferia e afrodiáspora.
Babilak: A minha expectativa é a seguinte: está sendo uma experiência muito interessante trabalhar com o Fernando. Sempre trabalhei com muitos músicos e, com um artista visual, é a primeira vez que divido uma experiência coletiva. Está sendo um aprendizado incrível trabalhar com ele, lidar com a subjetividade de um artista plástico e aprender como falar de arte visual.
Como toda a minha trajetória se deu pela música, esse diálogo está sendo muito bom. A minha expectativa se concentra muito em divulgar esse trabalho. É sempre prazeroso estar nos lugares apresentando a sua obra. Por mais que eu tenha trinta anos de carreira, sempre dá um friozinho na barriga toda vez que vou me apresentar. A gente não sabe como as pessoas vão reagir. Mas o projeto tem uma equipe muito consistente, que domina as linguagens.