IRÃ COMEÇOU A RECEBER PEDÁGIOS POR PASSAGEM PELO ESTRETO DE ORMUZ
afinsophia 23/04/2026 0
DIA 55 DA GUERRA
Agência Internacional de Energia diz que mundo enfrenta ‘maior ameaça à segurança energética da história’
- SÃO PAULO (SP)
- REDAÇÃO BRASIL DE FATO
Enquanto as tratativas de um acordo de paz para pôr fim ao conflito iniciado por Estados Unidos e Israel contra o Irã empacam, em boa parte por desacordo sobre o futuro do Estreito de Ormuz, Teerã afirma que recebeu os primeiros pagamentos procedentes do pedágio que impôs na passagem marítima.
O governo do Panamá confirmou, na quarta-feira (22), que um dos dois navios apreendidos pelas forças navais do Irã em Ormuz é de bandeira panamenha e qualificou o ato como um “grave atentado” contra a segurança marítima, que constitui “uma escalada desnecessária” das tensões na região. Os EUA disseram que a apreensão iraniana não é uma violação do cessar-fogo.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, uma das principais autoridades do país, descartou a reabertura do Estreito de Ormuz enquanto durar o bloqueio estadunidense aos portos iranianos. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou que “ordenou o retorno de 31 navios” como parte do “bloqueio contra o Irã”.
Em seu documento de dez pontos para negociar um acordo de paz com os EUA, o Irã exigiu que seu “controle” sobre o Estreito de Ormuz seja garantido.
Porém, essa proposta se opõe diretamente à Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (Unclos), que garante aos navios o direito de trânsito irrestrito por mais de 100 estreitos ao redor do mundo, incluindo Ormuz. Cerca de 170 países e a União Europeia ratificaram a Unclos, que é geralmente considerada direito internacional consuetudinário, embora nem Irã ou EUA tenham ratificado o documento.
Crise inédita
“Estamos enfrentando a maior ameaça à segurança energética da história”, disse Fatih Birol, diretor-geral da Agência Internacional de Energia (AIE), à CNBC nesta quinta-feira (23).
“Até hoje, perdemos 13 milhões de barris de petróleo por dia… e há grandes interrupções no fornecimento de commodities vitais”, disse ele a Steve Sedgwick virtualmente no CONVERGE LIVE da CNBC, em Singapura.
Birol já havia alertado que a guerra com o Irã e o fechamento contínuo do Estreito de Ormuz resultariam na “maior crise energética que já enfrentamos” e instou os governos a reforçarem sua resiliência com fontes de energia alternativas.
“Espero, em primeiro lugar, que a energia nuclear receba um impulso… As energias renováveis crescerão muito — solar, eólica e outras — [e] espero que os carros elétricos se beneficiem disso”, observou. Os combustíveis fósseis alternativos também podem voltar a ter destaque, acrescentou.
“Em alguns países, espero que o carvão também possa ter um impulso e voltar a ter um aumento, especialmente na Ásia.”
Em meio à crise, os preços do petróleo dispararam mais de 4% no início das operações desta quinta-feira na Ásia, antes de um recuo, em um mercado preocupado com a incerteza sobre as negociações entre Irã e Estados Unidos e enquanto persiste o bloqueio do Estreito de Ormuz.
O barril de West Texas Intermediate (WTI), referência do mercado dos EUA, chegou a registrar alta de 4,06%, a US$ 96,73, enquanto o barril de Brent do Mar do Norte, referência mundial, avançou 3,62%, a US$ 105,63, antes de uma queda.
Volta às negociações?
Altos funcionários iranianos culparam Washington pelo impasse nas negociações de paz, citando o bloqueio naval dos Estados Unidos aos portos do país como um obstáculo crucial, em meio à escalada das tensões no mar, com a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) capturando duas embarcações estrangeiras e abrindo fogo contra uma terceira.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que Teerã busca “diálogo e acordo”, mas que o “descumprimento de compromissos, bloqueio e ameaças” estão dificultando as negociações. A Casa Branca, por sua vez, informou que seu presidente, Donald Trump, não estabeleceu um prazo para a prorrogação do cessar-fogo, e a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, ressaltou que a decisão sobre o momento da prorrogação caberá ao presidente.
A retirada de minas do Estreito de Ormuz pode levar quase seis meses, período em que haverá um impacto na distribuição global de combustíveis, afirmou o Pentágono em uma apresentação confidencial ao Congresso dos Estados Unidos, segundo o jornal Washington Post. Trump não definiu um prazo para que o Irã apresente uma proposta de paz, informou a Casa Branca.
“Em última instância, o cronograma será determinado pelo comandante-em-chefe”, declarou Leavitt à imprensa.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou que “aprecia” os esforços do Paquistão como mediador para encerrar a guerra com os Estados Unidos, mas não se pronunciou sobre a prorrogação por tempo indeterminado do cessar-fogo, decidida unilateralmente por Washington.
Um segundo ciclo de conversações entre Estados Unidos e Irã pode acontecer nos próximos três dias, informou o jornal The New York Post, que citou fontes paquistanesas que pediram anonimato e o presidente Donald Trump. O Líbano solicitará que o cessar-fogo seja prorrogado por um mês durante as negociações com Israel previstas para esta quinta-feira em Washington, indicou uma fonte oficial à AFP.