IRÃ E EUA AMEAÇAM ESCALAR GUERRA APÓS TRUMP DIZER QUE ESTÁ PERTO DE ATINGIR OBJETIVOS NAS PRÓXIMAS SEMANAS

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HÁ UM PLANO?

‘Vamos fazê-los voltar à Idade da Pedra, que é onde eles pertencem”, disse Trump em seu discurso à nação

Funeral de militante do Hezbollah no Líbano em abril de 2026 | Crédito: Ibrahim Amro/AFP

O Irã lançou uma nova onda de mísseis contra Israel nas primeiras horas desta quinta-feira (2) depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington havia “destruído as forças armadas iranianas” e estava perto de alcançar seus objetivos de guerra.

“Nas próximas duas a três semanas, vamos fazê-los voltar à Idade da Pedra, que é onde eles pertencem”, disse Trump em seu discurso à nação. O pronunciamento de Trump ocorreu horas depois de ele ter dito que Teerã havia pedido um cessar-fogo, alegação negada pelo Irã. Enquanto isso, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que seu país não nutre hostilidade contra os povos dos Estados Unidos, da Europa ou dos países vizinhos.

Mas o analista do Quincy Institute for Responsible Statecraft Trita Parsi disse à Al Jazeera que o pronunciamento de Trump em horário nobre da TV estadunidense ofereceu poucas novidades e, em grande parte, repetiu suas declarações recentes.

“Foi essencialmente um resumo de todos os tweets que ele publicou nos últimos 30 dias”, disse Parsi, acrescentando que a falta de novos detalhes sugere que o presidente não tem um plano claro.

O que diz o Irã

A resposta do Irã ao discurso de Trump foi, mais uma vez, imediata. “Com a confiança em Deus Todo-Poderoso, esta guerra continuará até sua humilhação, desonra, arrependimento permanente e seguro, e rendição”, afirmou o comando militar iraniano, Khatam al-Anbiya, em um comunicado divulgado pela televisão estatal.

“Aguardem nossas ações mais devastadoras, amplas e mais destrutivas”, acrescentou.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que, embora o Irã tenha recebido mensagens dos EUA, a confiança permanece “zero” para quaisquer negociações em potencial.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu ao público estadunidense que questione os motivos de Washington para continuar a guerra. Em uma carta aberta compartilhada pela emissora estatal PressTV, ele perguntou se a política “América Primeiro” de Trump estava “verdadeiramente entre as prioridades do governo estadunidense hoje”.

O ex-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kamal Kharazi, ficou gravemente ferido quando um ataque atingiu sua casa em Teerã, matando sua esposa, informou a mídia iraniana. Kharazi teria participado de comunicações paralelas com o Paquistão, com o objetivo de levar Teerã e Washington de volta à mesa de negociações.

Hostilidades

A guerra entre EUA e Israel contra o Irã continua a se intensificar, com campanhas de bombardeio israelenses e estadunidenses causando vítimas e danos em todo o país, enquanto as forças iranianas continuam os contra-ataques com mísseis e drones. Estados Unidos e Israel intensificam os ataques, visando um centro de pesquisa médica centenário em Teerã, uma ponte perto da capital e siderúrgicas.

O Irã prosseguiu com o lançamento de projéteis contra Israel, que anunciou o balanço de quatro pessoas levemente feridas na região de Tel Aviv. A situação obrigou muitos israelenses a celebrarem a Páscoa judaica no subsolo para evitar os ataques iranianos.

No Líbano, o grupo pró-iraniano Hezbollah anunciou o lançamento de drones e foguetes contra o norte de Israel. Segundo as autoridades libanesas, os ataques israelenses provocaram mais de 1.300 mortes desde o início da guerra entre Israel e o Hezbollah, em 2 de março.

Movimentações diplomáticas

O Estreito de Ormuz, uma rota marítima por onde passava 20% do petróleo e do gás mundial antes da guerra, é outra prioridade de Washington, que exige sua reabertura como condição para um cessar-fogo. A Guarda Revolucionária do Irã prometeu manter o estreito fechado aos “inimigos” do país.

O Reino Unido receberá, nesta quinta-feira, uma reunião de 35 países para debater como restabelecer a liberdade de navegação em Ormuz. A China afirmou que os ataques “ilegais” contra o Irã são a “causa primordial” do bloqueio do estreito e exigiu um cessar-fogo imediato.

O Ministério das Relações Exteriores da Alemanha informou que seu chefe de diplomacia, Johann Wadephul, conversou por telefone com seu homólogo chinês, Wang Yi, para discutir a situação no Oriente Médio e a esperança mútua de uma resolução rápida para o conflito.

Ambos os países desejam a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e concordam que nenhum Estado deve controlar as rotas marítimas ou cobrar pedágio pela passagem, afirmou o Ministério das Relações Exteriores em Berlim em uma publicação no X.

A China pode usar sua influência sobre o Irã para pressioná-lo a buscar uma solução negociada e o fim das hostilidades contra os Estados do Golfo, acrescentou.

O discurso de Trump não acalmou os mercados. Os preços do petróleo dispararam, com altas superiores a 6% do barril de Brent e de West Texas Intermediate. O diretor-gerente do Banco Mundial, Paschal Donohoe, declarou à AFP que está “extremamente preocupado” com o impacto da guerra sobre a inflação, o emprego e a segurança alimentar.

Editado por: Rafaella Coury

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