IRÃ E EUA AMEAÇAM ESCALAR GUERRA APÓS TRUMP DIZER QUE ESTÁ PERTO DE ATINGIR OBJETIVOS NAS PRÓXIMAS SEMANAS
afinsophia 02/04/2026 0
HÁ UM PLANO?
‘Vamos fazê-los voltar à Idade da Pedra, que é onde eles pertencem”, disse Trump em seu discurso à nação
- SÃO PAULO (SP)
- REDAÇÃO BRASIL DE FATO
O Irã lançou uma nova onda de mísseis contra Israel nas primeiras horas desta quinta-feira (2) depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington havia “destruído as forças armadas iranianas” e estava perto de alcançar seus objetivos de guerra.
“Nas próximas duas a três semanas, vamos fazê-los voltar à Idade da Pedra, que é onde eles pertencem”, disse Trump em seu discurso à nação. O pronunciamento de Trump ocorreu horas depois de ele ter dito que Teerã havia pedido um cessar-fogo, alegação negada pelo Irã. Enquanto isso, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que seu país não nutre hostilidade contra os povos dos Estados Unidos, da Europa ou dos países vizinhos.
Mas o analista do Quincy Institute for Responsible Statecraft Trita Parsi disse à Al Jazeera que o pronunciamento de Trump em horário nobre da TV estadunidense ofereceu poucas novidades e, em grande parte, repetiu suas declarações recentes.
O que diz o Irã
A resposta do Irã ao discurso de Trump foi, mais uma vez, imediata. “Com a confiança em Deus Todo-Poderoso, esta guerra continuará até sua humilhação, desonra, arrependimento permanente e seguro, e rendição”, afirmou o comando militar iraniano, Khatam al-Anbiya, em um comunicado divulgado pela televisão estatal.
“Aguardem nossas ações mais devastadoras, amplas e mais destrutivas”, acrescentou.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que, embora o Irã tenha recebido mensagens dos EUA, a confiança permanece “zero” para quaisquer negociações em potencial.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu ao público estadunidense que questione os motivos de Washington para continuar a guerra. Em uma carta aberta compartilhada pela emissora estatal PressTV, ele perguntou se a política “América Primeiro” de Trump estava “verdadeiramente entre as prioridades do governo estadunidense hoje”.
O ex-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kamal Kharazi, ficou gravemente ferido quando um ataque atingiu sua casa em Teerã, matando sua esposa, informou a mídia iraniana. Kharazi teria participado de comunicações paralelas com o Paquistão, com o objetivo de levar Teerã e Washington de volta à mesa de negociações.
Hostilidades
A guerra entre EUA e Israel contra o Irã continua a se intensificar, com campanhas de bombardeio israelenses e estadunidenses causando vítimas e danos em todo o país, enquanto as forças iranianas continuam os contra-ataques com mísseis e drones. Estados Unidos e Israel intensificam os ataques, visando um centro de pesquisa médica centenário em Teerã, uma ponte perto da capital e siderúrgicas.
O Irã prosseguiu com o lançamento de projéteis contra Israel, que anunciou o balanço de quatro pessoas levemente feridas na região de Tel Aviv. A situação obrigou muitos israelenses a celebrarem a Páscoa judaica no subsolo para evitar os ataques iranianos.
No Líbano, o grupo pró-iraniano Hezbollah anunciou o lançamento de drones e foguetes contra o norte de Israel. Segundo as autoridades libanesas, os ataques israelenses provocaram mais de 1.300 mortes desde o início da guerra entre Israel e o Hezbollah, em 2 de março.
Movimentações diplomáticas
O Estreito de Ormuz, uma rota marítima por onde passava 20% do petróleo e do gás mundial antes da guerra, é outra prioridade de Washington, que exige sua reabertura como condição para um cessar-fogo. A Guarda Revolucionária do Irã prometeu manter o estreito fechado aos “inimigos” do país.
O Reino Unido receberá, nesta quinta-feira, uma reunião de 35 países para debater como restabelecer a liberdade de navegação em Ormuz. A China afirmou que os ataques “ilegais” contra o Irã são a “causa primordial” do bloqueio do estreito e exigiu um cessar-fogo imediato.
O Ministério das Relações Exteriores da Alemanha informou que seu chefe de diplomacia, Johann Wadephul, conversou por telefone com seu homólogo chinês, Wang Yi, para discutir a situação no Oriente Médio e a esperança mútua de uma resolução rápida para o conflito.
Ambos os países desejam a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e concordam que nenhum Estado deve controlar as rotas marítimas ou cobrar pedágio pela passagem, afirmou o Ministério das Relações Exteriores em Berlim em uma publicação no X.
A China pode usar sua influência sobre o Irã para pressioná-lo a buscar uma solução negociada e o fim das hostilidades contra os Estados do Golfo, acrescentou.
O discurso de Trump não acalmou os mercados. Os preços do petróleo dispararam, com altas superiores a 6% do barril de Brent e de West Texas Intermediate. O diretor-gerente do Banco Mundial, Paschal Donohoe, declarou à AFP que está “extremamente preocupado” com o impacto da guerra sobre a inflação, o emprego e a segurança alimentar.