O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, na tarde desta quinta-feira (8), sobre a situação da Venezuela.
Em ambas as conversas telefônicas, os líderes condenaram ataques à soberania venezuelana, rejeitaram a lógica de zonas de influência e defenderam o multilateralismo, o direito internacional e o livre-comércio.
Eles também condenaram o uso da força sem respaldo da Organização das Nações Unidas (ONU), que resultou em cerca de 80 mortos na Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores pelos Estados Unidos.
Horas após as ligações, o presidente estadunidense Donald Trump ameaçou invadir o México com o pretexto de atacar os cartéis de drogas na região. No episódio venezuelano, o republicano também utilizou o argumento do narcotráfico para sequestrar Maduro, colocando-o como chefe de um cartel.
“Vamos começar a atacar os cartéis por terra. Eles mandam no México”, afirmou, em entrevista à rede de televisão Fox News. Em resposta, Claudia Sheinbaum rejeitou qualquer tipo de intervenção e reafirmou a soberania do país.
No entanto, diante da pressão do governo dos EUA, o México ampliou o combate ao narcotráfico para conter o fluxo de drogas sintéticas, especialmente o fentanil, em direção aos Estados Unidos. Em dezembro, Donald Trump editou um decreto que passou a tratar o opioide como ameaça equivalente a armas de destruição em massa.
Na mesma entrevista, Trump afirmou que a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, deve visitar Washington na próxima semana. Ele também declarou que o país ainda levará tempo para ter condições de realizar eleições, defendendo que antes seria necessário reconstruir estruturas básicas. “Temos que reconstruir o país. Eles não conseguiriam realizar eleições”, disse. “Eles nem saberiam como realizar eleições agora.”
O presidente americano também anunciou uma reunião com executivos do setor petrolífero e afirmou que essas empresas terão papel central na recuperação da indústria de petróleo venezuelana. “Eles vão reconstruir toda a infraestrutura petrolífera. Vão investir pelo menos US$ 100 bilhões, e o petróleo que eles têm é incrível, de uma qualidade e quantidade inacreditáveis”, afirmou.