Um grupo de mulheres marchou pelas ruas de Caracas, capital da Venezuela, na manhã desta terça-feira (6), pedindo a imediata libertação do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, ambos sequestrados pelos Estados Unidos no dia 3 de janeiro.
A manifestação partiu de uma iniciativa do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), que convocou todas as líderes do Movimento Josefa Joaquina Sánchez, comitês comunais de mulheres, Grande Missão Venezuela Mulher, comitês setoriais de mulheres, trabalhadoras, avós, mães e filhas a irem às ruas para rechaçar a ação do governo de Donald Trump, que além dos sequestros, atacou militarmente a capital deixando mais de 80 mortos, confirmados até o momento.
Para a deputada da Assembleia Nacional (AN), Katiana Hernández, que participou da marcha, o tipo de ataque de Trump motivou de maneira mais intensa a mobilização das mulheres.
“A história nos dá a oportunidade de crescer em organização e em decisões políticas. Graças ao grande amor entre Nicolás Maduro e Cilia Flores, estamos nas ruas: pelos nossos filhos, pelas nossas futuras gerações, estamos fazendo-nos sentir”, afirmou.
Conhecida como a comandante de 27 de novembro de 1992, Núbia Infante acrescentou que as mulheres carregam no sangue o espírito indomável de luta e resistência. “Precisamos permanecer como o fogo sagrado de 1824, quando Simón Bolívar indicou o que era necessário fazer para enfrentar os próximos passos na batalha contra o império espanhol, que era nada menos que a vitória.”
As participantes defenderam o compromisso que o povo tem com Maduro ao mesmo tempo em que manifestaram apoio a Delcy Rodríguez, presidenta interina, e destacaram a importância da soberania nacional e a defesa do território nacional. Além disso, enfatizaram o compromisso que a população tem em defender a constitucionalidade do governo, a autodeterminação do país e o poder popular.
O ministro das Relações Interiores, Justiça e Paz, Diosdado Cabello, esteve presente no ato batizado de “Grande Marcha das Mulheres”, elogiou o protesto e prometeu que o governo venezuelano vai trazer Maduro e Cilia de volta. Além disso, fez duras críticas aos Estados Unidos e a Trump e declarou que “quem ri da desgraça não entende que a Revolução Bolivariana continua”.
“O imperialismo cometeu um crime terrível: assassinou civis que dormiam, que nada tinham a ver com isso. O imperialismo sabe que hoje está descumprindo e violando todas as leis internacionais e as suas próprias leis; o imperialismo sabe que tem um prisioneiro de guerra em seu território, sequestrado dentro de seu país, onde foi eleito pela maioria dos venezuelanos para ser o presidente constitucional de nossa pátria”, disse Cabello.
Cabello também enalteceu Cilia Flores e disse que cada participante da marcha é um reflexo da primeira-dama e deputada eleita. “Com toda a sua coragem, ela não hesitou um minuto em acompanhá-lo para não o deixar sozinho quando foram sequestrados.”
Delcy Rodríguez desafia Trump
A presidenta interina Delcy Rodríguez mais uma vez se manifestou e deu recado firme a Donald Trump. “Não existe nenhum agente externo que vai governar a Venezuela”, desafiou. Sem mencionar textualmente o mandatário estadunidense, ela disse que “em seu destino só Deus manda”, segundo divulgou o El Espanhol.
No sábado (3), mesmo dia em que os Estados Unidos atacaram a Venezuela, o presidente de Estados Unidos ameaçou Rodríguez em uma entrevista ao The Atlantic: “Se não fizer o que é certo, pagará um preço muito alto. Talvez maior que Maduro”.
Esta foi a terceira vez que Delcy desafia Trump. A primeira foi após a prisão de Maduro, quando o declarou “o presidente legítimo da Venezuela“.
A segunda aconteceu nesta segunda-feira (5), quando ela tomou posse como presidente. Na Assembleia Nacional da Venezuela, ela proclamou que havia comparecido “como vice-presidente executiva do presidente constitucional, Nicolás Maduro, para prestar juramento de posse”.
*Com informações do Últimas Notícias