EUA RECUAM E NÃO FARÃO PRINCIPAL ACUSAÇÃO CONTRA NICOLÁS MADURO
Segundo o NYT, documento acusatório foi refeito pelo Departamento de Estado norte-americano, alterando tom em relação à história relacionado ao tal “Cartel de Los Soles”
ODepartamento de Justiça dos EUA revisou as alegações contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro, eliminando a acusação de que ele comandava diretamente uma rede específica de narcotráfico conhecida como Cartel de Los Soles. Essa alteração ocorreu logo após o sequestro de Maduro em uma operação militar realizada por forças norte-americanas em Caracas, na madrugada de sábado (3).
Durante o ano de 2025, as autoridades sob comando de Donald Trump intensificaram as críticas ao governo venezuelano, culminando em uma intervenção armada que resultou na detenção de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. A manobra, que envolveu uma unidade especial do exército dos EUA, a Força Delta, gerou condenações amplas de diversos países e organizações internacionais, inclusive da ONU, marcando um episódio raríssimo na região.
Na versão atualizada do processo, divulgada no mesmo dia da prisão, o foco das imputações mudou para a participação de Maduro “em um ambiente de corrupção que beneficia elites por meio do comércio ilegal de entorpecentes”. O texto menciona o Cartel de Los Soles apenas em dois pontos, descrevendo-o como “uma expressão genérica para atividades de tráfico controladas por figuras influentes no país”.
“O réu, Nicolás Maduro Moros — assim como o ex-presidente Chávez antes dele — participa, perpetua e protege uma cultura de corrupção na qual as elites poderosas da Venezuela se enriquecem por meio do tráfico de drogas e da proteção de seus parceiros traficantes. Os lucros dessa atividade ilegal fluem para oficiais civis, militares e de inteligência corruptos de diferentes níveis, que operam em um sistema de clientelismo comandado pelos que estão no topo — conhecido como Cartel de Los Soles ou Cartel do Sol, em referência ao símbolo do sol afixado nos uniformes de oficiais militares venezuelanos de alta patente”, diz o texto oficial da acusação feita pelo Departamento de Estado dos EUA.
Analistas independentes já vinham apontando inconsistências na narrativa sobre o Cartel de Los Soles, argumentando que ele não forma uma estrutura organizada com liderança clara, mas sim uma suposta teia dispersa de conexões que envolveriam indivíduos de variados cargos no governo e nas forças armadas, facilitando o fluxo de drogas sem uma base factual sólida, uma acusação que até o momento não mostra um pé sequer na realidade.
Em uma sessão judicial realizada em Nova York na segunda-feira (5), Maduro compareceu para responder às acusações e negou todas as imputações, afirmando ser um prisioneiro de guerra. O processo inicial contra ele remonta a 2020, mas a reformulação recente exclui referências diretas à sua suposta chefia em uma entidade “narcoterrorista”, seja lá o que isso signifique, embora o Departamento de Estado tenha classificado o grupo como terrorista internacional em novembro de 2025.
Apesar das modificações, Maduro enfrenta quatro acusações específicas no tribunal federal norte-americano: uma por conspiração envolvendo narcoterrorismo, outra por conspiração no tráfico de cocaína, uma terceira por posse de armas automáticas e explosivos, e a última por conspiração na posse de tais armas com fins ligados ao narcotráfico.