“GREVE NÃO É CONTRA LULA, MAS CONTRA INTRANSIGÊNCIA DA GESTÃO DA PETROBRÁS”, AFIRMOU DIRETOR DA FUP
afinsophia 16/12/2025 0
POR DIREITOS
Paralisação é contra o Acordo Coletivo de Trabalho apresentado pela Petrobras e exige equacionamento para aposentados
- SÃO PAULO (SP)
- IGOR CARVALHO E JOSÉ BERNARDES E TABITHA RAMALHO
“Essa não é uma greve contra o governo e o presidente Lula (PT)”, afirma Tezeu Bezerra, diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP) ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. Nesta segunda-feira (15), os petroleiros aderiram à greve nacional que teve início à meia noite, com grande adesão nas bases operacionais da Petrobras em diversas regiões do país.
Os trabalhadores de plataformas e refinarias suspenderam atividades em protesto contra a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2025–2026 apresentada pela empresa, considerada rebaixada pela categoria.
“É uma greve contra alguns intransigentes que estão na gestão, junto com a presidente Magda Chambriard da Petrobras, onde desde o começo deste ano temos passado por uma série de ataques contra os trabalhadores. Estamos a mais de dois anos negociando o equacionamento para nossos aposentados e pensionistas e temos tido dificuldades no acordo coletivo com a empresa”, destacou.
Além da paralisação, o primeiro dia foi marcado por denúncias de repressão policial no Rio de Janeiro (RJ). Durante mobilização na porta da Refinaria Duque de Caxias (Reduc), dois dirigentes do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro) de Caxias foram detidos após ação da Polícia Militar. Segundo a FUP, os sindicalistas foram agredidos e algemados enquanto realizavam atividades de convencimento junto aos trabalhadores. Ainda de acordo com a FUP, eles foram liberados por volta das 10h.
Bezerra declarou que apesar do trauma sofrido pelos trabalhadores com a ação violenta de uma “polícia fascista”, os dirigentes estão bem. “O trabalhador está exercendo seu direito de fazer greve, seguindo todos os trâmites, avisando a Justiça e a Petrobras, apenas lutando pelo seu direito. Deixamos toda a solidariedade”, afirmou.
De acordo com o diretor da FUP, nesta terça-feira (16), haverá um grande ato na porta da Reduc para “demonstrar a indignação com o ocorrido”.
Sobre a proposta de transição energética justa, Tezeu Bezerra esclareceu que a Petrobras não possui um projeto e essa é uma das brigas dos petroleiros. “Precisamos debater essas pautas para realizar uma transição justa,dialogando com a sociedade, governo, trabalhador e as empresas”, declarou.
“A Petrobras está muito tímida, e a proposta atual se resume praticamente às energias eólicas e as placas solares, que geram poucos empregos”, acrescentou. O diretor da FUP também explicou que a energia solar pode causar problemas, por gerar muita energia de dia e de noite não, pode causar uma pane no sistema elétrico.
Além da greve, aposentados e pensionistas seguem em vigília em frente ao edifício-sede da Petrobras, o Edisen, no Rio de Janeiro. O ato já dura cinco dias e cobra o fim dos planos de equacionamento da Petros, que têm provocado perdas financeiras graves para esse segmento da categoria.