HISTÓRIA OFICIAL TENTA NEGAR PAPEL DE LUÍS CARLOS PRESTES DURANTE A COLUNA, AFIRMOU FILHA DE LÍDER COMUNISTA, ANITA PRESTES
Anita Prestes contesta divisão de comando com Miguel Costa e relembra prestígio popular do “Cavaleiro da Esperança”
Historiadora Anita Prestes contesta versões oficiais sobre a Coluna e destaca liderança do pai, Luís Carlos Prestes – Arquivo pessoal/Anita Prestes
A Coluna foi um movimento político-militar liderado por jovens oficiais do Exército, os tenentes, que se rebelaram contra a República Velha (1889-1930). Seus participantes denunciava a corrupção das oligarquias, o voto aberto controlado pelos coronéis e a exclusão da população rural.
Segundo Anita, ao contrário do que aparece em livros escolares, a Coluna não nasceu no oeste do Paraná, mas no noroeste do Rio Grande do Sul, em 1924. “O nome dela era Coluna Prestes, e, também, Coluna Invicta, porque participou de 53 combates, atravessou 13 estados em dois anos e três meses, sem jamais ter sido derrotada”, destacou.
A historiadora enfatizou que a incorporação em 1925 das tropas paulistas derrotadas foi decisiva, mas o comando não era dividido com o revolucionário Miguel Costa (1874-1959), como se costuma dizer. “Frequentemente, inclusive, denominam erradamente a Coluna de ‘Coluna Miguel Costa-Prestes’, porque Miguel Costa tinha mais idade, já era major da Força Pública, enquanto os outros eram jovens. Mas ele mesmo reconhecia o papel de liderança de Prestes”, afirmou.
Apesar de ter sido desmontada em 1927, a Coluna deixou marcas profundas no cenário político e ajudou a enfraquecer a República Velha, que entraria em colapso poucos anos depois com a Revolução de 1930. Na avaliação de Anita, no entanto, esse desfecho não significou a vitória das propostas dos tenentes mais radicais, já que o ex-presidente Getúlio Vargas (1882-1954) representava setores dissidentes das próprias oligarquias.
A filha de Prestes também recordou o prestígio popular adquirido pelo pai, apelidado de “Cavaleiro da Esperança”, após o fim do percurso de 25 mil quilômetros feito pela Coluna, quando jornalistas puderam registrar a vida dos combatentes exilados na Bolívia. “As pessoas ficaram maravilhadas com aquela marcha. O nome de Luiz Carlos Prestes, nesse período, adquire uma repercussão enorme, a ponto de ser apontado em pesquisas como candidato preferido à presidência da República”, contou.
Para Anita, essa memória permanece atual. “Em alguns momentos, os militares podem desempenhar um papel progressista e até podem dar um golpe progressista”, disse, lembrando o papel dos tenentes nos anos 1920 e citando exemplos como a Revolução dos Cravos, em Portugal.
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