JORNALISTA REVELOU QUE CIRO NOGUEIRA TENTOU INTIMIDÁ-LO APÓS DENÚNCIA DE LIGAÇÃO COM PCC
Operação aponta esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis e uso de fintechs para lavagem de dinheiro
Senador Ciro Nogueira (PP-PI), líder nacional do partido – EVARISTO SA / AFP
“Ciro Nogueira não é conhecido por ser uma pessoa corajosa. Ele copiou a minha mensagem e a compartilhou no WhatsApp, com o meu número de telefone. Eu acho que ele agiu de má-fé”, denuncia, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. “A tentativa de intimidar o ICL não vai funcionar, mas eu lamento que o senador faça tamanha molecagem”, complementa.
Propina ligada a empresas de combustíveis
De acordo com o jornalista, uma testemunha, que teve o nome preservada na matéria do ICL por segurança, relatou ter presenciado o momento em que Roberto Augusto, conhecido como “Beto Louco”, afirmou que entregaria uma sacola de dinheiro a Nogueira. O depoimento foi dado tanto à reportagem quanto à Polícia Federal. Augusto é identificado como um dos principais líderes do esquema criminoso do PCC no setor de combustíveis, ao lado de Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”.
“Essa fonte [denunciante], no ano passado, esteve presente em uma conversa com Beto Louco, e ele afirma que levaria uma sacola de dinheiro para o senador Ciro Nogueira”, conta. Segundo Costa, os chefes do esquema do PCC controlavam empresas do setor de combustíveis, alvo de processos na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Brasil (ANP). A propina estaria ligada ao interesse em barrar sanções e influenciar projetos de lei em tramitação no Senado.
Fintechs e lavagem de dinheiro
Costa também destaca que a Operação Carbono Oculto, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) com a Receita Federal, expôs a dimensão da infiltração do crime organizado na economia formal, como em fintechs da Faria Lima. “Não existe crime organizado sem a presença do crime organizado na economia legal. Talvez a novidade seria essa amplitude [do alcance da denúncia]. Nessa operação, foram descobertos 40 investimentos que talvez tivessem lavado o dinheiro pelo PCC”, aponta.
O jornalista explica ainda por que o setor de combustíveis é considerado estratégico para a lavagem de dinheiro. “Você pode ir no posto de gasolina e a bomba está lá, apontando um determinado valor. Mas, se você pagar em Pix, por exemplo, você vai pagar um valor menor. Isso facilita para você lavar dinheiro para o crime organizado”, indica.
Questionado sobre os interesses de Ciro Nogueira no setor, ele esclarece que o senador seria “uma espécie de representante do mercado financeiro no Congresso Nacional. Ele é um defensor dos interesses desses setores”.
Ataques à imprensa
Costa relaciona a tentativa de intimidação do presidente do PP a um padrão de perseguição da extrema direita contra jornalistas. “Esse tem sido um modus operandi da extrema direita. O que o Ciro Nogueira fez comigo é isso. Ele é um valentão. Não teve coragem de me dar entrevista. Mas optou por expor o meu número [de telefone]. É o método da extrema direita. Eles são, essencialmente, covardes”, declara.
O jornalista também critica a cobertura superficial da grande imprensa sobre o caso. “Há compromissos com os interesses do mercado financeiro. Eu acho que não há o interesse em que essa história seja devidamente aprofundada. Isso vai mexer com vários interesses de pessoas poderosas. Não só da área política brasileira, mas também da área econômica”, observa.