MUNDO REAGE A ATAQUE DE ISRAEL EM RAFAH E AMEAÇA APOIO DOS EUA

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Aumentou a pressão internacional contra Israel e dezenas de chefes de Estado e organismos mundiais pedem fim imediato dos ataques

Foto: RFI via AP/Jehad Alshrafi

A ofensiva de Israel a civis inocentes em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, que matou 45 palestinos e deixou mais de 200 feridos, aumentou a pressão internacional contra Israel e dezenas de chefes de Estado e organismos mundiais não enxergam vazão para defesa dos ataques e pedem o seu fim imediato.

As reações de presidentes e lideranças internacionais, além do Conselho de Segurança da ONU, que convocou uma reunião de emergência, ocorreram após o bombardeio de Israel contra o campo de refugiados em Rafah, no sul da Faixa de Gaza. O acampamento abrigava palestinos desalojados pelos bombardeios anteriores.

As manifestações internacionais

A própria Casa Branca, uma das financiadoras das bombas de Israel, declarou estar “consternada com as imagens dilacerantes” do ataque. No início do mês, os Estados Unidos já haviam bloqueado o envio de bombas pesadas a Israel, receando um ataque em larga escala em Rafah. O país, contudo, manteve o envio de outros armamentos.

O primeiro comunicado emitido por Joe Biden nesta semana foi um pedido para que Israel tomasse “todas as precauções para proteger os civis”. O porta-voz do Conselho de Segurança dos EUA disse que Israel tem o direito de perseguir o Hamas, mas que a cena do ataque que deixou dezenas de mortos era de “partir o coração”.

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, disse estar “horrorizado” e também fez duras críticas a Benjamin Netanyahu, ao acusar a Corte Internacional de Justiça (CIJ) de antissemitismo: “qualquer um que faz algo de que Netanyahu não gosta é acusado de antissemitismo”.

“Teremos que escolher entre nosso apoio [da União Europeia] às instituições internacionais e ao domínio da lei ou nosso apoio a Israel. Vai ser bem difícil manter ambas as coisas compatíveis”, havia afirmado poucos dias antes do ataque à Rafah.

O governo egípcio também disse, por meio de um porta-voz à agência estatal Al-Qahera News, que já é “uma situação incontrolável, no terreno e psicologicamente, que pode levar a uma escalada”.

O governo chinês manifestou “profunda preocupação com as operações militares de Israel em curso contra Rafah”. Segundo o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, a China “exige” que “todas as partes protejam os civis e as instalações civis e instamos Israel a dar ouvidos ao apelo da comunidade internacional e a cessar os seus ataques a Rafah”.

No Brasil, o Itamaraty falou em “consternação e perplexidade” sobre a tragédia e que “demonstra o efeito devastador sobre civis de qualquer ação militar israelense em Rafah, conforme manifestações e apelos unânimes da comunidade internacional”.

Em nota, o governo brasileiro afirmou que “condena a contínua ação das forças armadas israelenses contra áreas de concentração da população civil de Gaza” e apelou à comunidade internacional “que exerça máxima pressão diplomática a fim de alcançar o imediato cessar-fogo”.

Paralelamente, em um claro gesto contra os ataques, três países – Espanha, Irlanda e Noruega – oficializaram o reconhecimento da Palestina como Estado, nesta terça-feira (28). Os países europeus alegaram a “necessidade para alcançar a paz” e buscam estimular que outros Estados também façam o reconhecimento oficial.

“Gaza é o inferno na terra. As imagens da noite passada são mais uma prova disso”, descreveu a Agência das Nações Unidas para Refugiados Palestinos no Oriente Próximo (UNRWA).

“As informações provenientes de Rafah sobre novos ataques a famílias que procuram abrigo são horríveis. Há relatos de baixas [mortes] em massa, incluindo crianças e mulheres entre os mortos”, continuou a agência.

Conselho de Segurança da ONU convocou, nesta terça (28), uma reunião de emergência para discutir o cenário após o bombardeio. Apesar da pressão e condenação mundial, Netanyahu continuou com a ofensiva em Rafah nesta terça, de acordo com a agência Reuters.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile, repórter de Política, Justiça e América Latina do GGN há 10 anos.

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