PRISÃO, INVESTIGAÇÃO E DEMISSÃO: POLÍTICOS PEDEM RIGOR CONTRA AMEAÇA GOLPISTA DE BRAGA NETTO
Rio de Janeiro RJ 03 07 2018 General Braga Netto anuncia que haverá transição na intervenção no Rio Interventor sai em dezembro e parte da equipe continua mais 6 meses foto Fernando Frazão/Agencia Brasil
Alvo da intimidação, Arthur Lira tentou minimizar o episódio, mas oposição quer a responsabilização do militar
Políticos do campo democrático reagiram à ameaça golpista do ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, que teria condicionado as próximas eleições à aprovação no Legislativo do voto impresso, pauta defendida pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
“Ministro da Defesa que condiciona as eleições a mudanças no sistema não ganha capa de jornal. Ganha cadeia”, publicou o coordenador do MTST e da Frente Povo Sem Medo, Guilherme Boulos (PSOL).
A oposição acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Procuradoria Geral da República (PGR) para que o militar responda judicialmente. Parlamentares querem também que o general vá ao Congresso prestar explicações.
:: Contrato assinado por Braga Netto com suspeito de matar presidente do Haiti é investigado ::
Nesta quinta-feira (22), uma reportagem de O Estado de S.Paulo revelou que a advertência teria sido comunicada ao presidente da Câmara Arthur Lira (Progressistas-AL) por meio de um interlocutor. A intimidação teria contado com o respaldo dos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.
Em nota oficial do Ministério da Defesa, Braga Netto classificou o episódio como “desinformação” e disse que não se comunica com os chefes dos poderes por meio de interlocutores, mas não negou ter ameaçado o pleito. No comunicado, ele considerou a discussão sobre o voto impresso como “legítima”.
Veja reações do mundo político
Implicado diretamente, o presidente da Câmara Arthur Lira (Progressistas-AL) não negou nem confirmou o teor da reportagem do jornal paulista:
Em uma sequência de publicações no Twitter, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) foi mais enérgico. Ele chamou Braga Netto de “um elemento perigoso para a democracia” e classificou as declarações do general como “irresponsáveis” e “inconsequentes”:
Líder da Oposição na Câmara, o deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) prometeu convocar o general à Câmara para se explicar aos deputados:
O deputado Marcelo Freixo (PSB-RJ) reforçou a confiabilidade da urna eletrônica e acusou o ministro da Defesa de contribuir para a instabilidade institucional:
Para o senador Humberto Costa (PT-PE), o presidente Bolsonaro está preparando um golpe militar. O parlamentar fez um pedido oficial à Procuradoria Geral da República (PGR) de investigação sobre as “e as graves ameaças à democracia”:
Não é papel de militares tutelar o processo eleitoral em uma estado democrático de direito, avaliou a presidenta nacional do PT e deputada federal Gleisi Hoffmann:
O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad pediu que o general seja afastado das funções:
Já Guilherme Boulos afirmou que, dentro de uma regime democrático, a ameaça de golpe deve ser punida com prisão:
Se depender da oposição, a conduta do militar será investigada. O pedido já foi protocolado no Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a deputada federal Natália Bonavides (PT):
O ministro do STF Gilmar Mendes lembrou que é dever dos militares respeitar a Constituição e as instituições:
Ainda no STF, o ministro Luís Roberto Barroso minimizou o episódio e desmentiu a ameaça de golpe:
Edição: Leandro Melito