“MARGINAL” ERNESTO ARAÚJO ARRANJOU BRIGA COM CHINA, RÚSSIA, E BIDEN, SEM FALAR EM ARGENTINA E BOLÍVIA
O Brasil não pode mais continuar tendo, perante o mundo, a face de um marginal. Alguém que insiste em viver à margem da boa diplomacia, à margem da verdade dos fatos, à margem do equilíbrio e à margem do respeito às instituições. Alguém que agride gratuitamente e desnecessariamente a Comissão de Relações Exteriores e o Senado Federal.
Se um Chanceler age dessa forma marginal com a presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado da República de seu próprio país, com explícita compulsão belicosa, isso prova definitivamente que ele está à margem de qualquer possibilidade de liderar a diplomacia brasileira. Kátia Abreu, presidenta da Comissão de Relações Exteriores do Senado, respondendo ao agora ex-chanceler Ernesto Araújo
Da Redação Viomundo.
Logo depois do chanceler Ernesto Araújo anunciar sua demissão do Itamaraty, a embaixada da China no Brasil celebrou com uma mensagem em que diz que existe liberdade religiosa na região de maioria muçulmana do país, Xinjiang.
Seguidor de Olavo de Carvalho e fiel às diretrizes de Donald Trump e dos Estados Unidos, cuja prioridade é enfrentar a influência da China e da Rússia na América Latina, o chanceler caiu depois de denunciar que a senadora Kátia Abreu teria feito lobby pela implantação do 5G chinês no Brasil.
Os chineses estão anos-luz à frente dos Estados Unidos nesta e em outras tecnologias, como a dos painéis solares para produção de energia e trens de alta velocidade.
A saída de Trump, para ganhar tempo para os desenvolvedores dos Estados Unidos, foi iniciar uma série de ataques contra a empresa chinesa Huawei, propondo um boicote internacional da tecnologia do 5G alegando que ela facilitaria a espionagem.
O 5G abrirá as portas para a “internet das coisas”, em que aparelhos eletrodomésticos em geral serão comandados a partir do celular.
Na famosa reunião ministerial de 22 de abril do ano passado, que acabou vazando por ter sido requisitada judicialmente pela defesa do ex-ministro Sergio Moro, ao sair do governo, Araújo disse que a China tinha espalhado o coronavírus com o objetivo de dominar o mundo.
Em novembro do ano passado, o chanceler se envolveu em polêmica diretamente com o embaixador da China no país, Yang Wanming, depois que o filho de Jair Bolsonaro, Eduardo, presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, anunciou:
O governo Jair Bolsonaro declarou apoio à Aliança Clean Network, lançada pelo governo Donald Trump, criando uma aliança global para um 5G seguro, sem espionagem da China. Isso ocorre com repúdio a entidades classificadas como agressivas e inimigas da liberdade, a exemplo do Partido Comunista da China.
A postagem foi duramente criticada pelo embaixador chinês.
Ernesto Araújo saiu em defesa do filho do presidente com nota oficial do Itamaraty.
Quando o Brasil se viu desesperado para obter vacinas da China, veio o troco.
Os chineses atrasaram as entregas do princípio ativo utilizado pelo Instituto Butantan para a produção da Coronavac.
A cabeça de Eduardo Araújo entrou em negociação, pois seu grande mentor, Donald Trump, a esta altura já tinha amargado derrota nos Estados Unidos.
Mesmo assim, numa mensagem ofensiva a Joe Biden e aos democratas, Araújo justificou no twitter a invasão do Capitólio por extremistas de direita e supremacistas brancos.
Para completar, um documento da diplomacia americana revelou que o governo Trump tinha feito pressão para que o Brasil não comprasse a vacina Sputnik, produzido pelo Instituto Gamaleia, da Rússia, o que desagradou o governo Putin.
China e Rússia estão usando as suas vacinas para fazer diplomacia internacional com os países mais pobres.
Depois do anúncio do afastamento de Araújo, discretamente, como é de seu feitio, os chineses celebraram com a mensagem sobre Xinjiang, que é um dos motivos pelos quais Washington pressiona o governo chinês, alegando violação de direitos humanos contra os uigures de maioria muçulmana que vivem na província.
“Olhos cristalinos e sorriso genuíno só aparecem na terra com harmonia social, prosperidade e liberdade de crença. Não vamos deixar as mentiras políticas mancharem Xinjiang”, diz o texto.
Na América Latina, Araújo arranjou confusão com a Argentina, a Venezuela e apoiou o golpe que derrubou o presidente legalmente eleito Evo Morales, da Bolívia.