MÁQUINA FAKE “DESTROÇA” VACINA CHINESA, BOLSONARO DEMORALIZA MAIOR PARCEIRO COMERCIAL E PODE ATRASAR IMUNIZAÇÃO EM MASSA

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Antônio Cruz/Agência Brasil

POLÍTICA
12/12/2020.

Datafolha

Da Redação Viomundo.

A máquina de fake news do bolsonarismo, que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, afirmou ontem ter derrotado, obteve uma vitória “estupenda” sobre o governador João Doria: 50% dos entrevistados pelo Datafolha em pesquisa dizem que não vão tomar a vacina feita com insumos chineses no Instituto Butantã, em São Paulo.

Pelo whatsapp e outras mídias sociais, bolsonaristas espalharam — dentre outras coisas — que a vacina chinesa virá com um chip através do qual o governo comunista poderá controlar os imunizados.

Isso demonstra não apenas a eficácia do gabinete do ódio, mas o nível de ignorância e desinformação do povo brasileiro.

Na chamada “guerra das vacinas”, o tucano João Doria quer sair na frente: ele gostaria de começar a imunização em São Paulo no dia do aniversário da cidade, 25 de janeiro.

Mas o governador paulista depende da aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e o presidente Jair Bolsonaro tem usado todas as ferramentas ao seu alcance para preservar a família no caso do rachadão e garantir a reeleição em 2022 — tendo Doria como um de seus adversários.

A Anvisa tem o poder de atrapalhar os planos de Doria.

A Organização Mundial da Saúde diz que para atingir a chamada imunidade de rebanho uma vacina teria de ser aplicada em 50% a 60% da população.

Se a metade da população do estado de São Paulo rejeitar a vacina do Butantã — cerca de 20 milhões de pessoas — a imunidade só será atingida com a aprovação de outra vacina, como a da Pfizer.

A possibilidade da vacina patrocinada pelo governador João Doria “encalhar” seria uma desmoralização não só para ele, mas para o principal parceiro comercial do Brasil, a China.

O Butantã tem capacidade para produzir 1 milhão de doses por dia e a “estrategia” política de Bolsonaro pode acabar atrasando a imunização dos brasileiros.

A vacina da Pfizer, na qual o Planalto aposta para “derrotar” Doria, precisa ser preservada a 75 graus negativos, impondo um desafio logístico que pode deixar milhões de brasileiros que vivem distantes dos grandes centros sem vacinação.

O governo brasileiro nunca desenvolveu um plano federal para enfrentar a pandemia, resultando até agora em cerca de 180 mil mortes.

Jair Bolsonaro foi o mais negacionista de todos os líderes mundiais que enfrentaram a covid-19, que definiu como “gripezinha” em discurso oficial.

Ele fez campanha contra o fechamento de atividades econômicas e desafiou continuamente recomendações de seu próprio governo, como o uso de máscara.

Agora, afirma que a vacinação não deve ser obrigatória, ao mesmo tempo em que seus assessores trabalham contra a vacina chinesa.

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