SE O STF CONSIDERAR MORO SUSPEITO, LAVA JATO RETORNA À ESTACA ZERO
Segundo o advogado Cristiano Zanin, a peça é uma coletânea de “diversas provas de atos que levam, efetivamente, à suspeição do ex-juiz Sérgio Moro”.
Jornal GGN – O último e mais completo pedido para considerar o ex-juiz Sérgio Moro como suspeito nos processos contra o ex-presidente Lula e da Lava Jato está à espera de ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Trata-se de um Habeas Corpus, ingressado pela defesa de Lula, que ao comprovar a parcialidade do então juiz, devolveria à estaca zero os processos da Lava Jato de Curitiba.
Apesar de seus efeitos serem vistos como improváveis, após as centenas de condenações ao longo destes seis anos de Operação Lava Jato, as diversas provas coletadas contra Sérgio Moro, por sua forma de conduzir as investigação na Justiça Federal do Paraná, podem ocasionar a anulação destas sentenças e um novo início para a Lava Jato.
É o que espera o advogado Cristiano Zanin, na peça que foi apresentada ainda em novembro de 2018, sendo inicialmente julgado em dezembro daquele ano, e coloca em xeque a competência e a legalidade dos processos que geraram a condenação de Lula.
“Por força de lei, na hipótese de o Supremo vir a reconhecer a suspeição do então juiz Moro os processos serão tornados nulos. Então, eles voltarão a uma fase inicial para que sejam discutidas todas as matérias apresentadas pela defesa, inclusive a falta de jurisdição da Justiça Federal de Curitiba”, explicou, em entrevista concedida a Leonardo Sakamoto e Vinicius Honchinski, do Uol.
O advogado afirmou que tem a expectativa de o Habeas Corpus não somente ser julgado em breve pelo STF, como também ser acolhido. “E, uma vez reconhecida a suspeição do então juiz Sergio Moro, que sejam anulados os processos da Lava Jato de Curitiba, que ele tenha julgado, ou que ele tenha feito a instrução, tenha coletado as provas que estão sendo analisadas”, disse.
Segundo Zanin, a peça é uma coletânea de “diversas provas de atos que levam, efetivamente, à suspeição do ex-juiz Sérgio Moro”.
“Nenhum juiz pode ser considerado imparcial quando se verifica que ele grampeia a advogados de defesa, que ele divulga conversas telefônicas para criar, perante a sociedade, um ambiente artificial de culpa, quando o mesmo juiz que impõe uma condenação para retirar o principal candidato, aquele que está à frente das pesquisas eleitorais, e acaba logo depois se tornando ministro do presidente da República eleito, em decorrência desse quadro, dentre outras situações”, manifestou.