BOULOS: GOLPISMO DO GENERAL HELENO VEM DE LONGE

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Foto Wikipedia

19/02/2020.

O golpismo de Heleno vem de longe. Não esqueçam que ele era ajudante de ordens do Gen. Sylvio Frota, que tentou um golpe em Geisel contra a abertura que encerrou a ditadura militar. É viúvo da pior tradição autoritária. Sem falar em suas histórias muito mal explicadas no Haiti… Guilherme Boulos, ex-candidato do Psol ao Planalto, no twitter

O general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, mandou um “foda-se” para o Congresso.

“Nós não podemos aceitar esses caras chantagearem a gente o tempo todo. Foda-se”, disse ele em relação à queda de braço entre o Congresso e o Planalto em torno da execução orçamentária.

O presidente do Congresso, Rodrigo Maia, rebateu: “Geralmente, na vida, quando a gente vai ficando mais velho, a gente vai ganhando equilíbrio, experiência e paciência. O ministro, pelo jeito, está ficando mais velho e está falando como um jovem, um estudante no auge da sua juventude. É uma pena que o ministro com tantos títulos tenha se transformado num radical ideológico contra a democracia, contra o Parlamento. Muito triste. Não vi por parte dele nenhum tipo de ataque quando a gente estava votando o aumento do salário dele como militar da reserva”.

Maia sugeriu que, sem o apoio dele e de outras lideranças no Congresso “o governo não ganhava nada aqui dentro”.

Para Heleno, o governo Bolsonaro vai entregar a “rendição” se aceitar que o Congresso controle cerca de R$ 30 bilhões do orçamento de 2020.

O comportamento agressivo de Heleno não é o primeiro desde que assumiu o cargo.

“Um presidente desonesto é um deboche com a sociedade, destrói o conceito do país”, ele disse ao dar um tapa na mesa em junho de 2019.

Reagia, então, a uma entrevista em que o ex-presidente Lula questionou a facada que levou o candidato Jair Bolsonaro ao hospital.

“É viúvo da pior tradição autoritária”, escreveu hoje a respeito de Heleno o ex-candidato do Psol ao Planalto, Guilherme Boulos.

O psolista lembrou que Heleno foi ajudante de ordens de Sylvio Frota.

Sobre Frota, Boulos já havia escrito na CartaCapital:

Falemos do general Sylvio Frota, morto em 1996. Oficial graduado, foi ministro do Exército do ditador Ernesto Geisel, entre 1974 e 1977, quando o regime anunciava a transição “lenta, gradual e segura”. Frota talvez tenha sido o maior opositor da abertura democrática, que considerava uma traição ao “processo revolucionário”. Anticomunista, elaborou a famosa lista dos 97 “subversivos infiltrados no Estado” e passou a minar Geisel, a quem pretendia suceder e que considerava ideologicamente de esquerda.

Sim, para Frota, Geisel era quase um comunista. Foi exonerado pelo presidente em 12 de outubro de 1977, não sem tentar uma conspiração golpista – um golpe dentro do golpe – no mesmo dia. Fracassou. Os generais que tentou convocar para o levante haviam sido chamados por Geisel ao Palácio do Planalto. Escreveu então um manifesto público, no qual resume suas crenças sobre o Brasil. Possivelmente passou despercebido que um dos exonerados daquele dia tenha sido um certo capitão Augusto Heleno, nada menos que ajudante de ordens do ministro.

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