LUIS NASSIF: XADREZ DE UMA SEMANA DO BARULHO, NA QUAL O STF ENTROU EM CAMPO
Três decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) comprovam sua mudança de postura.
A última semana permitiu a confluência de um conjunto de fatores positivos.
O primeiro, os impactos do dossiê do The Intercept mostrando os interesses econômicos envolvidos com a Lava Jato, a manipulação das delações e, finalmente, a comprovação de que estava por trás da quebra de sigilo fiscal de dois Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e esposas.
O segundo, o comportamento do Ministro Sérgio Moro, enrolando-se completamente na reação aos diálogos divulgados e criando um problema jurídico de monta ao apelar para informações de um inquérito sigiloso para tentar criar um clima de pânico que lhe permitisse avançar para cima do The Intercept.
O Supremo entra em campo
Três decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) comprovam sua mudança de postura.
Funai
Foi a primeira medida questionando a inconstitucionalidade das decisões de Bolsonaro. Abre espaço para outras. Espera-se que entre na pauta alguma denúncia sobre o negócio da BR Distribuidora e da TAG, tenebrosas transações feitas com aval do Supremo, ao permitir a venda sem licitação das subsidiárias de estatais.
Lava Jato
Ao requisitar os arquivos dos supostos hackers de Araraquara, o Supremo explicita sua desconfiança em relação aos propósitos da Lava Jato e do agora Ministro da Justiça Sérgio Moro. Poderiam ser instrumentos de chantagem, sim.
Embora o inquérito dos hackers esteja conduzido por um policial federal de boa reputação, a chefia da PF está em mãos de um “morista”- pessoas que se comportam como membros da organização Moro, e não da corporação Policia Federal. Tira-se também o controle do juiz Walisnei Oliveira, conhecido como o Sérgio Moro de Brasilia.
Bolsonaro
A interpelação do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, a Bolsonaro, encaminhada pelo Ministro Luis Roberto Barroso, é o início para uma futura ação por crime comum, de calúnia. Se recebida a ação penal, Bolsonaro será imediatamente suspenso das funções presidenciais.