LULA MARQUES: BOLSONARO TENTA SE FAZER DE VÍTIMA AO APELAR POR CLAMOR POPULAR, AVALIAM LÍDERES SOBRE CARTA-RENÚNCIA

7 DE MAIO DE 2019.

O texto de um investidor que já havia rodado nas redes sociais há alguns dias conta que o presidente “sofre pressões de todas as corporações, em todos os poderes”, que o País “está disfuncional” e que “até agora (o presidente) não fez nada de fato, não aprovou nada, só tentou e fracassou”

Foto: Marcos Corrêa/PR

Líderes políticos reagiram ao texto compartilhado nesta sexta-feira (17) pelo presidente Jair Bolsonaro em que ele aborda as dificuldades que enfrenta para governar, sugerindo nas entrelinhas, a renúncia do cargo de Presidente da República. No fim do dia, veio à tona que o autor do “artigo anônimo” é, na verdade, um investidor que auta no mercado financeiro filiado ao partido Novo.

O líder do PDT, André Figueiredo (CE) viu na atitude do presidente a antecipação de um novo Jânio Quadros.

“Vivemos um momento delicadíssimo, onde tudo que vem deste Governo em seus diferentes núcleos ( familiar, militar, financeiro, motorista) tem que ser bem analisado e prevenido. Esse texto é um prenúncio de querer ser um novo Jânio, já venho falando disto há algum tempo”, afirmou o congressista ao blog.

Na avaliação do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), esse discurso contra supostos “inimigos da Nação” é muito conhecido.

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“Por exemplo, foi fartamente usado por Hitler e o final todos conhecemos. O presidente da República não pode difundir discursos desse tipo, pois ele jurou cumprir e defender a Constituição. E fora da Constituição só existem as trevas de regimes ditatoriais”, avaliou.

Para o líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS) os sinais de deteriorização presidencial são visíveis, havendo ainda possibilidade do presidente ser afastado após o Ministério Público quebrar o sigilo bancário de ex-funcionários do senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente.

“Essa relação dos Bolsonaro com as milícias cresce a cada momento. O próprio desespero da manifestação dele nos EUA contra os estudantes que protestaram [contra os cortes nos recursos da educação] mostra uma sensação de medo principalmente após a quebra do sigilo bancário de 90 pessoas, 12 delas nomeada como parente de Bolsonaro”.

O texto fala que o presidente está “sofrendo pressões de todas as corporações, em todos os poderes”, que o País “está disfuncional” e que “até agora (o presidente) não fez nada de fato, não aprovou nada, só tentou e fracassou”.

Na avaliação de Orlando Silva, líder do PCdoB, essa “Janioquadrisse” do presidente revela suas limitações políticas e de horizonte.

Para o deputado federal Camilo Capiberibe (PSB-AP) o compartilhamento do texto é um fato gravíssimo.

“Um parlamentar que exerceu 28 anos de mandato e que tem três filhos eleitos (dois no Congresso Nacional) não poderia desconhecer as enormes dificuldades de se governar um país da complexidade do Brasil”, avaliou o congressista.

Para ele, a nota mostra um “presidente acuado pela sua própria inabilidade em conduzir a nação”, diz. “Revela também um desejo de mobilizar a sociedade contra as instituições para poder governar sem elas. Bolsonaro é um presidente sem projeto, sem agenda, sem base parlamentar e, cada dia mais, sem popularidade”.

Líderes da base do governo foram pegos de surpresa com a manifestação de Bolsonaro e, por enquanto, preferem se manifestar em reservado.

“Bolsonaro repete Jânio Quadros do jeito dele, é claro, com texto apócrifo! É o início do fim ou o fim do início?”, questiona um líder. “Será este texto a licença para iniciar o governo que o “centrão” quer? Como disse a líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann, na última quarta prometendo que vocês (nós) da imprensa iríamos ter uma surpresa na próxima semana?”.

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