BOLSONARO NÃO UTILIZOU R$ 5,6 BILHÕES LIBERADOS PARA ENFRENTAMENTO DA PANDEMIA

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Brazilian President Jair Bolsonaro gestures during the commemoration of the 54th anniversary of the creation of Brazil's Tourism Board (EMBRATUR) at Planalto Palace in Brasilia, on November 17, 2020. (Photo by EVARISTO SA / AFP)

DINHEIRO PARADO.

CNS alerta que créditos extraordinários não foram previstos no orçamento do ano que vem

Ana Paula Evangelista e Daniel Giovanaz

Jair Bolsonaro é conhecido por subestimar a pandemia e negligenciar as políticas de enfrentamento à covid-19 – Evaristo Sá / AFP

Muitos dos leitos de UTI e respiradores não poderão ser mantidos sem esses créditos extraordinários

O governo Bolsonaro não utilizou R$ 5,6 bilhões em créditos extraordinários para enfrentamento da covid-19. O cálculo foi divulgado em um boletim da Comissão de Orçamento e Financiamento (Cofin), do Conselho Nacional de Saúde (CNS), com base nas ações do Ministério da Saúde até 24 de novembro.

O valor que deixou de ser utilizado equivale a 12,8% de todos os créditos extraordinários liberados para a pasta na pandemia.

Os recursos poderiam ser utilizados, por exemplo, para ampliação de leitos em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), respiradores, insumos e equipamentos de proteção individual (EPIs). Segundo o Cofin, R$ 74,7 milhões foram perdidos, porque eram referentes a três medidas provisórias (MPs) cuja validade já expirou.

Conselheiro nacional de Saúde e coordenador-adjunto do Cofin, Getúlio Vargas alerta que o orçamento de 2021 deve ser votado em plenário sem passar por uma comissão especial e sem diálogo com a sociedade.

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“Esse recurso, se não for empenhado até o final do mês, pode ser perdido, o que é muito temeroso”, afirma.

Vargas também mostra preocupação de não haver até o momento previsão de votação das leis orçamentárias para 2021.

“Há uma expectativa de que, a partir de 15 de dezembro tenhamos, direto no plenário das casas legislativas, a discussão da PLDO [Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias]. E a proposta que está em tramitação não prevê a incorporação desse crédito extraordinário no orçamento de 2021”, ressalta.

Em agosto, o CNS lançou uma petição para que o Congresso Nacional garanta a incorporação desses créditos no orçamento do ano que vem. A petição tem mais de 560 mil assinaturas e tem como uma de suas demandas a revogação da Emenda Constitucional 95/2016, conhecida como “teto de gastos”, que congelou os investimentos em áreas sociais até 2036.

“Nós já estamos em dezembro, e a pandemia está vivendo uma nova onda. Então, dia 31 de dezembro a gente ainda estará vivendo sob a égide da covid-19, e isso precisa ser reconhecido e tratado na questão orçamentária”, reforça o conselheiro.

 “Muitos novos leitos de UTI, respiradores, não poderão ser mantidos sem esses créditos extraordinários”.

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Vargas chama a atenção que o Sistama Único de Saúde (SUS) precisará dar conta de demandas reprimidas de 2020, decorrentes do adiamento de cirurgias eletivas e exames de maior complexidade, bem como das consequências da interrupção do tratamento de doenças crônicas que estão sendo noticiadas.

Além disso, o Ministério precisará de recursos para garantir a imunização de mais de 200 milhões de pessoas e enfrentar a nova onda de covid-19 no país, que voltou a registrar mais de 800 óbitos pela doença em 24 horas.

Edição: Leandro Melito

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