CANDIDATO A PREFEITO DE FORTALEZA, DEPUTADO CAPITÃO WAGNER FOI A SOBRAL COM COLEGAS BOLSONARISTAS PARA ACUSAR CID
Mal o senador licenciado Cid Gomes tinha dado entrada no hospital, em Sobral, no interior do Ceará, dois deputados federais, do Amazonas e do Rio de Janeiro, já estavam na cidade.
A major Fabiana (PSL-RJ) e o capitão Alberto Neto (Republicanos-AM) estavam no Ceará quando o motim dos PMs contra o governo foi iniciado, no dia anterior.
Eles acompanharam o deputado capitão Wagner (Pros-CE) a uma delegacia de Sobral para fazer um boletim de ocorrências contra Cid Gomes, informou a CartaCapital.
Cid Gomes foi alvejado com dois tiros depois de usar uma retroescavadeira para tentar romper uma barreira de policiais amotinados que ocupavam a sede de um batalhão da PM na cidade.
O capitão Wagner é um dos favoritos na disputa eleitoral pela Prefeitura de Fortaleza em 2020. Deve enfrentar no segundo turno um representante da família Gomes, que domina politicamente o Ceará. O candidato ainda não foi escolhido.
Os Gomes governam Sobral com o irmão Ivo. Roberto Cláudio ocupa a prefeitura de Fortaleza. O governo estadual está com um aliado, o petista Camilo Santana.
Ivo reagiu ao ataque contra o irmão culpando o Congresso: “Há dez anos, houve um caso semelhante, no Ceará e na Bahia. Depois de tudo isso, de tudo o que fizeram, todos foram anistiados pelo Congresso”.
Cid Gomes está fora de perigo, transferido da UTI para uma enfermaria de um hospital em Sobral. Os PMs amotinados abandonaram o quartel depois que circulou a informação de que a Secretaria de Segurança Pública deslocaria o Batalhão de Choque para desocupar o lugar.
Ciro Gomes, em rede social, atacou o deputado federal Eduardo Bolsonaro, que classificou a atitude de Cid de “insensata”.
“Deputado Eduardo Bolsonaro, será necessário que nos matem mesmo antes de permitirmos que milícias controlem o Estado do Ceará como os canalhas de sua familia fizeram com o Rio de Janeiro”, afirmou Ciro, usando seu trator retórico.
A deputada federal major Fabiana serviu como secretária de Vitimização do governo de Wilson Witzel, no Rio.
Ao deixar o cargo e retomar o mandato de deputada federal, escreveu:
Reconheço a liderança do Dep Eduardo Bolsonaro para o PSL, sei que o momento é de unirmos forças, bem como ressalto a sensibilidade do Governador do Rio para a consolidação de políticas públicas na área de Vitimização, com a gratidão devida. Sou e serei eternamente leal à Família Bolsonaro, e retorno nesta data para bem cumprir meu papel em apoiar todas as decisões de Jair Bolsonaro, eleito democraticamente por milhões de brasileiros honestos e idealistas.
Quando ainda não tinha entrado na política, com mais de 500 mil seguidores no Facebook, o capitão Alberto Neto afirmou, sobre Jair Bolsonaro: “A população olha para o Bolsonaro e vê um cara que não tem medo de enfrentar os problemas do Brasil, diferente de outros políticos que humanizam demais a questão. Eles preferem trazer soluções teóricas enquanto Bolsonaro surge como uma figura de xerife que vai colocar ondem na casa, onde bandido não vai ter vez. Olho para o deputado e vejo um homem com ficha limpa e que tem coragem para enfrentar o problema da segurança pública”.
O deputado capitão Wagner disse que os tiros disparados contra Cid Gomes foram em “legítima defesa”.
Porém, um vídeo filmado de dentro do quartel mostra que os atiradores estavam distantes da retroescavadeira quando Cid investiu com a máquina contra a barreira de amotinados.
Na noite do confronto em Sobral, os três parlamentares voltaram a Fortaleza e tentaram audiência com o governador Camilo Santana, mas foram rejeitados.
Estavam com dois integrantes do governo Bolsonaro, o secretário nacional de Proteção Global, Sérgio Queiroz, e o diretor de Proteção e Defesa de Direitos Humanos, Herbert Barros.
Os dois servem ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, sob Damares Alves.