COM A FACE TEMEROSA DE QUEM TEM CULPA E ANGUSTIADA DE QUEM TEME UM FUTURO ADVERSO, MORO FOI À CÂMARA FEDERAL SER QUESTIONADO SOBRE A SUA CONDUTA NA LAVA JATO
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Não poderia ser diferente: Moro é uma estrutura cristalizadamente defensiva quanto às denúncias feitas pelo site The Intercept Brasil. O filósofo Sartre diria que trata-se de um insuportável em-si: nada entra nada sai. Nada de para-si: nada de falta. Ele encontra-se completo para a temática em questão.
Sua ida à Câmara Federal, para responder questionamentos sobre as denúncias publicadas pelo site The Intercept Brasil, que coloca sob suspeição sua parcialidade como juiz da operação Lava Jato, foi, em verdade, uma não ida. Uma afasia total. Ou, em relação a a forma que vem se defendendo, não passou de indigente tautologia. Todas as perguntas feitas pelos deputados da oposição se transformavam na lógica bumerangue: voltavam aos deputados tal a afasia e tautologia que ele fazia uso para se defender.
Operação criminosa de hacker, não lembro, adulteração de mensagens, já apaguei a memória de meu celular, entre outros recursos tautológicos, Moro desfilou sua ladainha defensiva. Uma ladainha replicada, como ajuda, por todos os deputados e deputadas representantes do evento extrema-direita que se apossou do poder Executivo brasileiro. Em coro cristalizado, eles proferiram as mais deploráveis enunciações de submissão-reconhecedora. Chamaram Moro de herói do Brasil, o mais justo e correto combatedor da corrupção que tem apoio da sociedade brasileira. Na força fantasiosa da mitificação, afirmaram que o desfile de domingo mostrou essa verdade, quando o que se viu no Brasil inteiro foi um estrondoso chabu-moriano.
Porém, de nada adiantou a tautologia e o coro defensivo mitificadoramente-fantasioso. O que se viu, em verdade, foi um Moro expressivamente temeroso, como ocorre com os sujeitos que são acometidos por uma culpa. Um Moro angustiado diante da perspectiva de um futuro adverso. A angústia é um estado que ninguém pode ocultar, porque ela se apresenta como medo de uma situação futura dolorosa que o sujeito vai vivenciar pela primeira vez, ou, então, repetir uma situação dolorosa que já passou. Mas, como informa a psicanálise, o pior da angústia, é o sentimento de desamparo que o sujeito vivencia. O desamparo que a criança vivenciou no momento do trauma. A dor de não poder se apoiar em ninguém que para si deveriam ser seus protetores, já que o trauma foi provocado pelos progenitores.
Moro dizia sempre que as perguntas estavam repetidas e que já havia respondido. Não respondeu nenhum. Só as que estavam cristalizadas em seu em-si. As respostas que faziam parte de seu corpo ideia-fixa. Com o decorrer do tempo-parlamentar, ele se mostrou completamente abatido, mas sem perder a arrogância que é a arma de defesa dos temerosos.
Em nenhum momento, Moro percebeu o método usado pela oposição que era para que em uma vacilação ele se mostrasse sem as defesas-protetoras. De tanto perguntarem sobre sua parcialidade e ele responder defensivamente, sem perceber, ele se revelou sem armaduras. Se referindo à divulgação de sexta-feira passada pelo site Intercept Brasil, disse que passou o dia ouvindo que haveria uma revelação bombástica e no final não ocorreu tal revelação bombástica. Sua preocupação com a bomba que seria a nova matéria do site The Intercept Brasil, deixa transparecer que ele encontra-se com medo das revelações que virão. O que significa que ele sabe de sua parcialidade. Ele acusou o golpe, como dizem os boxeadores.
Esperemos os próximos enunciados do site The Intercept Brasil.