GGN: ‘ALGUÉM VAI PARAR NA CADEIA, E NÃO SOU EU’, DIZ OLAVO SE REFERINDO A SANTOS CRUZ, POR LILIAN MILENA

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Visivelmente preocupado, ideólogo se justifica porque chamou Villas Bôas de “doente preso em uma cadeira de rodas” e acusa Santos Cruz de “impedir a despetização” da Apex

Olavo de Carvalho. Reprodução.

Jornal GGN – Visivelmente preocupado e sem conseguir fixar o olhar na câmara por muito tempo, Olavo de Carvalho divulgou na quarta-feira (8) um vídeo explicando porque chamou o ex-comandante das Forças Armadas, general Villas Bôas de “um doente preso a uma cadeira de rodas“, onde militares fragilizados buscam proteção.

A fala, recebida como um ato de grande desrespeito pelos militares e alguns políticos, aconteceu depois que Villas Bôas publicou uma mensagem via redes sociais apontandoOlavo como “verdadeiro Trotski de direita” e responsável por “acentuar as divergências nacionais”.

O escritor e guru do presidente Bolsonaro vem atacando membros do Exército que fazem parte do governo desde fevereiro, especialmente o vice-presidente Hamilton Mourão e o general Santos Cruz, Ministro da Secretaria de Governo.

Segundo Olavo, o objetivo de Santos Cruz é “impedir a despetização da Apex”, agência de promoção de produtos e serviços brasileiros no exterior, já o general Mourão estaria por trás de uma tentativa de golpe.

Na mais recente escalada de ataques, o escritor afirmou que suas denúncias partiram da ex-diretora da Apex, Letícia Catelani. Ela disse que teria sido pressionada por Santos Cruz para renovar convênios, que segundo a visão dos olavistas, beneficiavam produtos “comunistas e esquerdistas”.

Catelani, entretanto, foi apontada por dois ex-diretores da Apex como responsável por atravancar os serviços da Agência. O último a ser afastado do cargo, embaixador Mário Vilalva, a chamou de “desrespeitosa e ineficiente”. No início da semana, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, confirmou o afastamento de Catelani.

Segundo Olavo, a troca de farpas entre Santos Cruz partiu, inicialmente, do próprio general.

“Por que esse camarada começou a me xingar? Ele certamente desconfiou que eu estou por trás dessas denúncias, que eu disse alguma coisa para a Letícia, que eu disse alguma coisa para o Paulo Enéas da Crítica Nacional, etc. Em suma que há uma conspiração olavistas, e ele começou a espalhar essas coisas. Tá certo? E chegou a mobilizar a mídia inteira, dez senadores e até o alto comando das Forças Armadas”.

Em seguida, Olavo disse que foi após essa suposta articulação de Santos Cruz que o ex-comandante do Exército, Villas Bôas, escreveu sua mensagem. “Eu não sei se o general Villas Bôas que escreveu isso pessoalmente, ou se alguém redigiu e deu pra ele’”, completou, sutilmente sugerindo mais uma vez a incapacidade de Villas Bôas defender as FFAA.

Para o ideólogo, inclusive, a mensagem do general foi uma artimanha dos militares para depois acusá-lo de ofender um líder das Forças Armadas acometido de uma doença degenerativa.

“Fica claro aí que estava tudo montado para me pegar nessa armadilha. Só que eles se apressaram um pouco (…) eles pegaram uma mensagem que mandei para eles e fizeram de conta que eu estava atacando o general”, tentou refutar Olavo.

Insistindo que os militares montaram “toda uma operação” para pegá-lo, o guru de Bolsonaro, ainda sem conseguir olhar para a câmera, reforçou a acusação de que Santos Cruz praticou “tráfico de influência” na Apex “em favor de organizações comunistas e inimigas do governo”

Olavo seguiu tentando explicar uma outra questão que surgiu durante o embate: como é que tem se sustentado nos Estados Unidos. Segundo ele, seu dinheiro vem do Brasil, da venda de cursos e dos direitos autorais de livros.

“Meu sigilo bancário está aberto na hora que quiserem. Se provarem que eu recebo algum dinheiro aqui, dos Estados Unidos, leva 20 por cento”, acrescentou.

“Não sei se o sr Santos Cruz está fazendo esta pressão em cima da Apex por dinheiro ou por vantagem política”, continuou Olavo. “Quando foi descoberto, decidiu criar toda essa encenação de uma conspiração internacional para desviar a atenção das autoridades. E está desviando mesmo, porque o pessoal da mídia, que está louco pra me fritar, aproveitou isso aí: ‘olha o Olavo agora está atacando o pobre general cadeirante’”.

“Nunca os vigaristas se autodenunciaram de uma maneira tão nítida. Então agora tem que haver uma investigação nisso. Vamos investigar o Santos Cruz, vamos investigar Olavo de Carvalho e vamos botar tudo isso a limpo. E alguém vai parar na cadeia, e não sou eu!”.

Pivô das crises do governo

Pouco antes da gravação de Olavo, o ex-comandante do Exército, Villas Bôas, disse à imprensa considerar o escritor o pivô de todas as crises enfrentadas desde o início do governo Bolsonaro.

“Praticamente todas as crises que nós vivemos desde que o presidente Bolsonaro assumiu têm a participação direta ou indireta do Olavo de Carvalho, que não contribui”, pontuou.

“Temos tantas questões importantes, e a gente fica dispersando energia com questões que absolutamente não contribuem para a solução dos problemas”, concluiu o general.

Nas últimas semanas, Olavo aumento o tom dos xingamentos contra os militares, pelas redes sociais chamou Santos Cruz de “merda” e “bosta”, e indicou os membros do exército como mentalmente incapacitados.

“Já expliquei mil vezes, mas esses bebês fardados não querem ou não podem entender: A ciência política pode ser superior a ideologias, não pelo isentismo mas pela correta articulação dialética das forças e razões em jogo, da qual o exemplo clássico é a “História da Guerra do Peloponeso” de Tucídides. Mas uma política prática sem ideologia é coisa que só pode existir na boca de um charlatão ou no cu da sua platéia”, escreveu na terça (7).

No mesmo dia escreveu também: “Tento me imaginar discutindo filosofia política com um desses generais. É mais fácil treinar artes marciais com um bicho-preguiça”.

Nesta quinta-feira (9), a Folha de S.Paulo divulgou uma reportagem apontando que o embate entre os militares e Olavo está causando divisão entre os evangélicos na Câmara dos Deputados, a principal base de sustentação que o governo tem no Congresso.

Curiosamente, também nesta quinta, o centrão e a oposição fecharam um acordo para tirar o Coaf do Ministério da Justiça e ainda adiaram a votação da Medida Provisória 870 colocando em risco a reforma ministerial de Bolsonaro.

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