PUBLICITÁRIO CONFIRMA INTERMEDIAÇÃO COM FLÁVIO E DIZ QUE VORCARO ERA ÚNICO INVESTIDOR DE FILME SOBRE BOLSONARO

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DE ONDE VEM A GRANA?

Thiago Miranda afirma que banqueiro do Banco Master aportou R$ 62 milhões antes de suspender repasses

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República | Crédito: Vitor Souza/AFP

O publicitário Thiago Miranda confirmou que intermediou tratativas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar “Dark Horse”, filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo Miranda, Vorcaro era o único investidor da produção até a crise do Banco Master.

À coluna de Malu Gaspar, de O Globo, Miranda disse que o filme chegou a ele por meio do deputado federal Mario Frias (PL-SP), que buscava financiamento para a produção. De acordo com o publicitário, a negociação inicial não envolveu encontros diretos entre Vorcaro, Frias e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

“Eu tive uma reunião com o Mario Frias, que me apresentou o projeto. Conversei com vários empresários e mostrei pro Daniel [Vorcaro]. O Daniel falou: ‘Cara, eu tenho interesse, sim, em patrocinar’. Na verdade, não é patrocinar, é ser investidor”, afirmou.

Miranda disse que, depois dessa primeira etapa, levou a resposta positiva de Vorcaro a Frias. “Levei pro Mario Frias, falei: ‘Olha, o Daniel vai entrar’. O contrato foi assinado”, declarou. Segundo ele, a participação do banqueiro não apareceria publicamente.

O publicitário afirmou ainda que Flávio Bolsonaro não estava à frente do filme, mas passou a acompanhar o andamento do projeto em momento posterior. Miranda relatou ter se encontrado com o senador para tratar da produção, em uma conversa que, segundo ele, foi breve.

“O Flávio nunca ficou na frente do filme, né? Sempre foi o Mario Frias. Então acho que foi um encontro, eu não lembro, em algum lugar, não sei onde foi, que o Flávio perguntou: ‘Tá andando?’, ‘Tá andando.’, ‘Tá tudo certo?’, ‘Tá tudo certo.’ E só, assim, a gente não falou muito, o Flávio não se intrometia muito nessa parte do filme”, disse.

Ainda de acordo com Miranda, Vorcaro era o único investidor de “Dark Horse” até a Operação Compliance Zero. “Ele conseguiu botar R$ 62 milhões. E aí logo acontece tudo, ele vai preso e não consegue honrar o resto”, afirmou.

Entenda o caso

A confirmação de Miranda ocorre após reportagem do Intercept Brasil revelar mensagens e documentos que apontam a negociação de um aporte de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões à época, para financiar o filme biográfico sobre Bolsonaro. Segundo o site, ao menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, foram pagos entre fevereiro e maio de 2025.

As mensagens reveladas pelo Intercept indicam que Flávio Bolsonaro tratou diretamente com Vorcaro sobre os repasses. Em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão do banqueiro, o senador escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.

No dia seguinte, Vorcaro foi preso acusado de operar um esquema de fraude que gerou rombo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Em 18 de novembro, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central (BC).

De acordo com o Intercept, os registros incluem cronograma de desembolso, comprovante bancário e cobranças relacionadas às parcelas do filme. O site afirma que não há evidências de que Vorcaro tenha feito os demais pagamentos previstos.

“Dark Horse” tem estreia prevista para 11 de setembro de 2026, poucas semanas antes da eleição presidencial. O longa tem o ator Jim Caviezel no papel de Bolsonaro e direção de Cyrus Nowrasteh.

Editado por: Luís Indriunas

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