Problemas de permanência excessiva em tela vão desde sedentarismo, passando por dificuldades visuais e impactos na sociabilidade |Crédito: Freepik
O uso excessivo de telas no dia a dia de crianças e adolescentes impacta na sociabilidade e qualidade do sono, entre outros fatores, em uma importante fase de desenvolvimento, podendo trazer consequências à saúde física e mental.
O neuropediatra Eduardo Jorge, coordenador da Rede E.S.S.E Mundo Digital, exemplifica quais são os principais danos relacionados ao tempo excessivo de exposição a videogames, tablets, celulares e televisão. “Obesidade, sedentarismo, dificuldades visuais pelo uso de telas que impede que as nossas crianças se desenvolvam normalmente. A alimentação ultraprocessada até aumenta, porque a criança não quer sair da frente da tela. Há alterações como a síndrome do olho seco, alterações auditivas pelo uso de fones, o barulho excessivo”, pontua em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Jorge lembra que, embora os impactos em crianças e adolescentes sejam severos, os adultos também podem ter a saúde, em especial a mental, afetada pelo uso excessivo de celulares.
“O mundo é em 3D, não em 2D. Quando você está na tela, você não está desenvolvendo uma conversa, uma interação com os seus pares, com quem quer que o valha. Você está interagindo só ali com o computador. Isso leva a problemas também de depressão, por exemplo. Adolescentes que estão sempre em mídia estão vendo um mundo só de coisas boas, em que nada acontece de errado, e a gente sabe que isso não é verdade, mas as pessoas só postam isso”, avalia.
Eduardo Jorge pondera que qualquer tela em excesso, inclusive a da televisão, pode agravar esses quadros e que o ideal é que a criança esteja socializando com outras, em contato com a natureza, brincando com jogos lúdicos. Para ele, o celular é ainda mais prejudicial na medida em que submete o usuário aos algoritmos. “A televisão é monodirecional no que entrega. O celular captura nossa atenção específica em cima de crianças e adolescentes, porque eles serão consumidores à frente”, destaca.
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