CHINA E RÚSSIA FORTALECEM ALIANÇA FRENTE À ESCALADA MILITAR DOS EUA

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IRMANDADE

Diplomatas destacam cooperação global, defesa do multilateralismo, alinhamento estratégico e apoio mútuo sobre Taiwan

Em meio à criação do Conselho de Paz pelos EUA e à escalada militar em regiões como a Venezuela e o estreito de Taiwan, China e Rússia fortalecem parceria estratégica e coordenação bilateral | Crédito: Photo/Xinhua

Em Beijing, neste domingo (1º), o secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Serguéi Shoigu, e o chanceler chinês Wang Yi conversaram sobre a possibilidade de reforçar a coordenação política entre Moscou e Pequim em meio às crescentes tensões do cenário internacional. O encontro foi designado diretamente pelos presidentes Vladimir Putin e Xi Jinping.

A reunião reuniu altos assessores diplomáticos e de segurança dos dois países. Entre os principais temas estiveram a defesa do multilateralismo, a estabilidade regional, a proteção de interesses estratégicos comuns e o fortalecimento da cooperação em fóruns multilaterais.

O diálogo ocorre em um momento de reconfiguração da ordem geopolítica global, marcado por iniciativas lideradas pelos Estados Unidos e seus aliados. Entre elas, Moscou e Pequim apontam a criação do chamado Conselho de Paz, visto pelos dois governos como um organismo paralelo à ONU, com potencial para impor regras unilaterais e ampliar a influência ocidental fora do marco multilateral tradicional. Para China e Rússia, esse movimento eleva os riscos de instabilidade e reforça a necessidade de coordenação estratégica permanente.

Segundo o comunicado oficial chinês, Wang Yi destacou que China e Rússia, como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, têm uma responsabilidade especial na defesa do sistema internacional baseado na ONU. Essa posição foi reiterada nesta segunda-feira (2), em coletiva de imprensa, pelo porta-voz do governo chinês, Li Jiang, ao afirmar que os dois países são “parceiros estratégicos de coordenação abrangente para uma nova era” e mantêm “comunicação estreita sobre questões centrais das relações bilaterais”. Segundo ele, diante de um cenário global marcado por incertezas, Pequim e Moscou “defenderão o verdadeiro multilateralismo” e trabalharão por uma governança internacional mais equilibrada.

Wang Yi também alertou que o mundo atravessa um período de instabilidade crescente, com o enfraquecimento de normas que sustentaram a ordem internacional do pós-guerra. Segundo o chanceler, há um risco real de que as relações internacionais passem a ser regidas pela “lei da força”, o que exige de China e Rússia uma atuação coordenada para preservar mecanismos multilaterais, evitar confrontos e promover soluções políticas para conflitos globais.

Do lado russo, Shoigu lembrou que 2026 marca o 25º aniversário do Tratado de Boa Vizinhança, Amizade e Cooperação entre os dois países. Ele ressaltou que a relação bilateral é sustentada por respeito mútuo, confiança política e benefício recíproco, em um contexto internacional cada vez mais volátil, com crises simultâneas em diferentes regiões do mundo.

Shoigu reafirmou ainda o apoio de Moscou à posição da China sobre Taiwan, criticando movimentos que, segundo ele, ameaçam a estabilidade no estreito. O secretário russo também se posicionou contra a re-militarização do Japão, tema recorrente nas preocupações de segurança regional compartilhadas por Moscou e Pequim. Essas declarações são interpretadas à luz do recente envio de armas dos Estados Unidos à região de Taiwan, estimado em cerca de US$ 11 bilhões, e do fortalecimento militar japonês — medidas que, na avaliação dos dois governos, contribuem para elevar a tensão no Leste Asiático.

Embora nem Shoigu nem Wang Yi tenham mencionado resoluções específicas, o posicionamento apresentado está alinhado à Resolução 2758 da Assembleia Geral da ONU, que reconhece a República Popular da China como o único representante legítimo do país nas Nações Unidas e estabelece Taiwan como parte do território chinês.

Durante o encontro, Shoigu também manifestou a disposição da Rússia em aprofundar a coordenação com a China em mecanismos como a ONU, o Brics e a Organização de Cooperação de Xangai, além de manter o desenvolvimento das relações bilaterais em alto nível. O objetivo comum, segundo ele, é contribuir para a construção de um mundo multipolar mais justo e seguro, com atenção especial à estabilidade da Eurásia.

Para Moscou e Pequim, a consolidação da parceria estratégica é vista como um instrumento para proteger a soberania nacional, defender interesses fundamentais e, ao mesmo tempo, reformular a governança global em bases menos assimétricas. As duas partes também realizaram comunicações aprofundadas sobre temas internacionais e regionais de interesse comum, abrindo novas perspectivas para a cooperação ao longo de 2026.

 

Editado por: Maria Teresa Cruz

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