PLANO SAFRA SERÁ LANÇADO NA SEGUNDA-FEIRA (30) COM PROGRAMA DE REDUÇÃO DE AGROTÓXICOS
Presidente Lula vai lançar os programas, em cerimônia no Palácio do Planalto
Presidente Lula, durante cerimônia de entrega de máquinas agrícolas em Contagem (MG). Foto: Ricardo Stuckert
Jakeline Pivato, integrante da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, afirma que as organizações da sociedade civil que participam dos debates junto ao governo têm poucas informações sobre os termos do decreto que será assinado na segunda, e diz esperar que o texto apresente um plano de execução de ações concretas.
“Se isso [o decreto do Pronara] acontecer, é um passo importante. Mas a nossa tarefa é permanecer em alerta e manter essa articulação para pautarmos essas ações concretas, e para que as coisas não esfriem e que a gente muito rapidamente consiga dar um passo à frente.”
Paulo Petersen, coordenador executivo da Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA), membro do Núcleo Executivo da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), integrante da Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Cnapo) e enviado especial da ONU à COP30 para Agricultura Familiar, celebrou que, antes tarde do que nunca, o Pronara seja lançado. “A assinatura desse decreto do Pronara é uma grande conquista porque ele é o reconhecimento do Estado da necessidade de ter medidas direcionadas à redução de agrotóxicos”, avalia.
Ele explica que a pauta da eliminação do uso dessas substâncias químicas na produção agroalimentar não é apenas do interesse dos movimentos ambientalistas ou de agroecologia, mas de toda a sociedade, inclusive de setores do agronegócio.
“Essa não é uma proposta que venha exclusivamente do campo da agroecologia ou sequer da agricultura familiar. Isso é uma proposta que vem de amplos setores da sociedade que há décadas defendem a mudança de um padrão produtivo que permita com que a agricultura seja menos dependente de agroquímicos, em particular dos agrotóxicos”, afirma.
“Existe uma crise estrutural na agricultura brasileira que tem custos de produção cada vez maiores e uma eficiência produtiva cada vez menor”, segue Petersen. “Para compensar a perda de eficiência se usa cada vez mais agroquímicos, incluindo os agrotóxicos, e isso aumenta os custos de produção. Então, a rentabilidade da agricultura, a rentabilidade financeira, vai caindo, e a solução para esse tipo de situação não é intensificar o uso de agrotóxico, é exatamente encontrar alternativas ao uso de agrotóxicos”, destaca.
Segundo a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, na ocasião, será anunciado o valor previsto de financiamento e juros para o setor, além de ações direcionadas em especial à produção de alimentos, agroecologia, enfrentamento às mudanças climáticas e acesso à tecnologia.
Em 2024, o programa voltado para os empresários do agronegócio teve um aporte de pouco mais de R$ 400 bilhões em crédito, enquanto aos agricultores familiares foi direcionado um valor de R$ 76 bilhões via Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Não há expectativa de que esses valores sejam alterados de forma substancial no anúncio que será feito na segunda.
O que sim há é a previsão de que seja anunciado a liberação de um recurso na ordem de R$ 700 milhões da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) que já estavam previstos no orçamento, mas que haviam sido contingenciados.