BOLSONARO TEVE “AJUDA” DE EMPREITEIRO, QUE RECEBEU CONTRATOS MILIONÁRIOS, EM REFORMA DE CASA EM ANGRA
Reiteradamente chamando o atual presidente Lula de “ladrão” pelo caso Triplex e Atibaia, Bolsonaro recebeu ajuda diretamente de um empreiteiro
Bolsonaro andando de jet ski no Lago Paranoá, em Brasília, em 2019 – Foto: Arquivo/Reprodução Youtube
A casa reformada na Costa Verde do Rio de Janeiro teve a supervisão “amiga” de Renato de Araújo Corrêa, empresário que, ao mesmo tempo, venceu contratos milionários junto ao governo do correligionário de Bolsonaro no Rio, Cláudio Castro (PL).
A palavra “amiga” foi dada pelo próprio empresário e pelo próprio ex-presidente Bolsonaro, ao narrar as ajudas do empreiteiro na reforma da casa em Angra, de acordo com reportagem do Metrópoles, divulgada nesta segunda (04).
A obra da casa de Bolsonaro teria sido feita por uma empresa terceirizada e teria sido paga pelo ex-presidente. Mas Corrêa teria coordenado os funcionários, “como se fosse o chefe deles”, segundo relatam testemunhas dadas ao jornal.
Empreiteiro recebeu contratos milionários
O empresário afirmou ao Metrópoles que não executou a obra, somente deu “pitacos” como “amigo”. Entretanto, admitiu ao jornal que ele usou alguns de seus funcionários para finalizar a reforma.
Durante um evento no dia 7 de janeiro deste ano, em Angra, Bolsonaro estava ao lado de Renato Corrêa e agradeceu o empresário, mas justificou que ele estava “pagando” pela reforma do imóvel no Rio, ao se referir à empresa que fazia a reforma.
Bolsonaro não comentou a ajuda do empreiteiro. A reportagem do Metrópoles mostra que Corrêa, por sua vez, recebeu quase R$ 17 milhões em licitações junto ao governo do Rio, comandando por Cláudio Castro, do PL. Um dos contratos, o empresário não tinha sequer concorrente.
Bolsonaro ironizou Lula, que foi inocentado
“Minha casa aqui não é o sítio de Atibaia”, ainda ironizou Jair Bolsonaro no evento, em janeiro.
O presidente Lula foi acusado por Sergio Moro, em 2017, por suposta corrupção passiva e lavagem de dinheiro relacionada ao triplex no Guarujá, imóvel atribuído ao presidente, mas que sequer era dele. As acusações relatavam justamente supostas “benfeitorias” que construtoras fizeram no imóvel.
Sem mais provas de que Lula tivesse obtido propina com o imóvel, além do ex-juiz Sergio Moro ter sido apontado como suspeito, a condenação foi anulada pelo próprio Supremo Tribunal Federal (STF), em 2022, assim como a acusação do sítio de Atibaia, que também foi anulada.
