DIÁRIO GOLPISTA ESCRITO À MÃO POR HELENO TINHA PLANO PARA SABOTAR A POLÍCIA E O JUDICIÁRIO
Roteiro propunha participações do Ministério da Justiça, da Advocacia-Geral da União e até da Presidência da República para intimidar policiais que obedecessem ordens judiciais
247 – Após a apreensão de um “diário do golpe” escrito à mão pelo ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, durante a operação Tempus Veritatis da Polícia Federal, novas informações revelam detalhes de um plano que visava minar o trabalho da Polícia Federal e desacreditar o Judiciário, buscando usurpar a ordem democrática.
De acordo com informações divulgadas pela revista Veja neste sábado (2), as notas registradas por Heleno sugerem uma estratégia coordenada entre o Ministério da Justiça, a Advocacia-Geral da União e a Presidência da República para obstruir a atuação da Polícia Federal, sob o pretexto de combater alegadas decisões judiciais excessivas. O plano traçado pelo ex-ministro visava impor barreiras ao cumprimento de ordens judiciais por parte da PF, chegando até mesmo a prender delegados que se dispusessem a seguir tais determinações.
“O AGU faz um texto fundamentado na Corte Federal afirmando sobre ordem ilegal. Existe um princípio de Direito que ordem manifestamente ilegal não se cumpre. Aprovando o parecer do AGU, para toda ordem manifestamente ilegal não é para ser cumprida pq seria Crime de Responsabilidade”, dizia um trecho das anotações de Heleno, segundo a Veja.
Tal roteiro, descrito nas anotações de Heleno, ecoa outros esforços antidemocráticos revelados anteriormente, incluindo a minuta golpista encontrada no celular do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL). Ambos os documentos tinham o roteiro para desestabilizar as instituições democráticas, manipulando a lei em prol de interesses autoritários.