DENISE ASSIS: APERTEM O CINTO, O MINISTRO SUMIU!
A última vez que o ministro da Defesa, José Múcio, teve o seu nome citado na mídia, foi para levar uma espécie de nota 7, no boletim. O presidente Lula, entrevistado pelo jornalista Kennedy Alencar, no dia 28 de fevereiro, avaliou: “Múcio tem feito um trabalho adequado”, disse, afirmando que é preciso aproximar a sociedade e as Forças Armadas e que a instituição “não pode ser tratada a vida inteira como se fosse inimiga”.
No mais, declaração em entrevista que consta numa busca rápida no Google, data do dia 7 de janeiro deste ano, e foi dada para justificar: “As instituições estavam absolutamente ao lado da democracia. Exército, Aeronáutica e Marinha estavam absolutamente a favor da Constituição. Evidentemente que você tinha (indisciplinados). Como num clube de futebol, tem um jogador indisciplinado no jogo, você tira o indisciplinado, mas o time continua”.
Só para lembrar o texto de um premiado comercial das antigas, de absorvente feminino, “incomodada ficava a sua avó”.
E o que tem deixado os nossos valorosos “defensores” tão incomodados? O fato de desta vez não terem o controle da situação. A bola está com a justiça comum, como mandam as regras do jogo. Sendo assim, eles que queriam separar os que devem dos que não devem, à sua maneira -, colocando, por exemplo, limites de qual o grau da patente ou que nomes poderiam ir as punições -, veem-se às voltas com o sigilo imposto pela PF sobre as investigações.
E tanto choraram pelos cantos, resmungaram e rangeram dentes, que suas lamentações vazaram para a mídia tradicional. Pode ser que o fato tenha sido proposital e positivo para eles, pois soa como um recado de que não estão gostando do rumo da condução desse processo. Fato é que estão indóceis. Reclamam, por exemplo, de que não têm acesso aos dados sobre os militares citados nas investigações. E, quando os dados vazam, vêm a conta gotas, o que exaspera o Alto Comando.
Calma, senhores. O que foi estabelecido publicamente, pelo (saudoso?) ministro José Mucio, foi que o “jogador” faltoso seria tirado do time. Acontece que pelo andar da carruagem, já há dois times e um reserva dependurados nas contas da PF, sem que os seus “superiores” saibam o que consta, afinal, no rol de provas que se avolumam. Em sendo assim, não será possível, por exemplo, construir “narrativas” (fiquei toda encaroçada só de escrever a palavra), como a que montaram para o general Marcos Freire Gomes, após saberem o que pesa contra ele.
Tudo tão arrumadinho, que certamente deveria ser feito também para beneficiar os militares de patentes altas e que se encontram presos: o coronel Bernardo Romão Correia Neto, o major Rafael Martins de Oliveira e o coronel Marcelo Costa Câmara. A desculpa dos integrantes das Forças Armadas é a de que precisam da íntegra das informações sobre a investigações, para poder abrir processos internos de punição dos envolvidos, sob pena de cometerem “injustiças”.