MARCOS COIMBRA: “JÁ PODEMOS ATÉ PENSAR EM VITÓRIA DE LULA NO 1° TURNO”

0
54992972934_02e1b89d15_k-768x512.jpg

Portal Fóeum

À Fórum, cientista político analisa chances de Lula ganhar a eleição diante de adversários sem competitividade e relevância política

Por: Júlia Motta: 20/02/2026 – 
– O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert)

06:03
Modo claro

Em entrevista ao Fórum Onze e Meia desta quinta-feira (19), o cientista político Marcos Coimbra analisou as chances do presidente Lula (PT) ser reeleito nas eleições de outubro e defendeu que o petista pode ganhar já no primeiro turno se o seu adversário for Flávio Bolsonaro (PL). 

Para Coimbra, o anti-lulismo hoje não tem um forte candidato que consiga disputar de maneira acirrada a eleição com Lula. “Tem um cidadão de quarta categoria política, que é um dos filhos do Bolsonaro”, afirma Coimbra, se referindo a Flávio Bolsonaro, escolhido para substituir o ex-presidente. 

O cientista ainda afirma que é justamente pela falta de uma candidatura competitiva e relevante com Lula que a direita e a extrema direita fabricam fatos, novidades e notícias políticas mesmo quando não há, de fato, um assunto. Coimbra se refere aos ataques contra a escola de samba Acadêmicos de Niterói, que desfilou no Carnaval do Rio de Janeiro com um samba-enredo em homenagem a Lula. A escola acabou sendo rebaixada novamente para a Série Ouro, o que virou uma arma política da extrema direita para atacar o presidente. 

No entanto, Coimbra considera isso um “não-assunto”. “É um não assunto que só se transforma em tema de discussão por causa desse quadro de carência de uma alternativa a Lula”, diz. 

Ele ainda acrescenta que, com isso, já deve ter políticos ensaiando um golpe jurídico para tirar Lula do páreo, já que a vitória do presidente já é praticamente certa. “E se continuar desse jeito, podemos começar a pensar até numa vitória em primeiro turno. Não tanto pelos méritos, mas também pelo quadro lastimável de opções que existem ao nome de Lula”, afirma o cientista. 

“Sequer um sujeito como o Bolsonaro, que podia representar alguns valores ultra-reacionários, anti-democráticos e de baixa qualidade intelectual, existe este ano. Estão restritos a ficar tentando fabricar um filho do Bolsonaro porque não tem nada para pôr no lugar”, diz Coimbra. 

Para o cientista, o único nome que tinha alguma chance de competir com Lula era o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Porém, Coimbra ainda acha que o governador será de fato o candidato do bolsonarismo. 

Tarcísio de Freitas vs Flávio Bolsonaro

Em relação a essa disputa de quem será o substituto de Bolsonaro, Coimbra considera que Tarcísio teria um “conteúdo minimamente concreto” para apresentar durante a campanha eleitoral. Já o filho de Bolsonaro “não tem expressão em lugar nenhum da vida política brasileira”. “Não tem conteúdo, não tem proposta, não tem ideia, não tem trabalho, não tem currículo. O que que ele é? O filho do Bolsonaro”, diz o cientista. 

Coimbra ressalta que, fora do “núcleo irracional” do bolsonarismo, é muito difícil viabilizar um candidato que tem apenas o sobrenome. “Sinceramente, nós já vimos na política brasileira o quão curta é a trajetória de quem não é nada, a não ser filho de alguém.”

Avaliação do governo e votos

Coimbra também analisou a avaliação do governo Lula e como os resultados devem ou não influenciar na votação. O cientista afirma que não só no Brasil, mas mundo afora, há uma grande dificuldade de governantes democráticos serem majoritariamente bem avaliados. 

O cientista explica que essa nova realidade pode ter várias explicações, como relativas a performance dos próprios governos, que caíram em todos os outros lugares do mundo, muito pelo fato do novo capitalismo ofertar muito menos dinheiro para políticas sociais.

No entanto, Coimbra defende que, diante desse quadro, os números de Lula são normais. “Não sinalizam que ele terá uma reeleição complicada. E se a gente quiser um exemplo brasileiro, é só olhar como é que estava a avaliação do Bolsonaro em 2022 e como é que ele terminou, com 48,5% do voto. Ele tinha números muito ruins de avaliação. A média, a avaliação positiva dele estava na casa de 25”, relembra o cientista. 

“Em todas as outras áreas sem ser a Segurança Pública, ele tinha números péssimos. Pois bem, chegou no final comprovando que a avaliação de governo e voto têm cada vez menos relação. Ele chegou no final com os 48,5%, o que assustou todo mundo pensando que realmente o povo brasileiro gosta de governante de terceira qualidade”, completa Coimbra. 

“Eu sou muito cético com relação a essa vinculação entre boa avaliação de governo e voto e acho que até outro dia nem existia na gramática da política brasileira a palavra’ incumbência’. Nós estamos vendo hoje o quão importante é estar no governo, fazer as coisas de um governante – até inventar coisas, como o Bolsonaro cansou de inventar naquele final de primeiro turno e na transição do primeiro para o segundo. É esse tipo de incumbência que pesou e que é a grande explicação para o Bolsonaro ter tido aquela performance. Não tem nada a ver com ideologia, tem nada a ver com tese da direita, pauta ideológica ou pauta religiosa.”

Por fim, o cientista afirma que a esquerda deve fazer uma eleição como as outras, mas com uma realidade diferente de 2022. “Naquele ano, quem tinha que convencer de que se ganhasse faria coisas era o Lula. Agora não, quem tem que convencer não é nem o Bolsonaro, que podia ter um certo direito de dizer ‘aquilo que eu fiz eu vou fazer de novo’. Não tem nada disso. Tem um filho dele que vai dizer: ‘Eu vou fazer igual o papai’”.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.