BOLSONARO CITADO EM DOCUMENTOS DO CASO EPSTEIN: “NÃO DUVIDO DE ABSOLUTAMENTE NADA”, AFIRMOU JURISTA

0
163218-768x512

Bolsonaro citado em documentos do caso Epstein: “Não duvido de absolutamente nada”, diz jurista

Documentos judiciais revelam conversas de 2018 em que Steve Bannon fala em manter a “questão Jair” nos bastidores

Por: Redação: 1/02/2026 – 
– Jair Bolsonaro preso na superintendência da PF em Brasília/Gabriela Biló/Folhapress

04:05

Novos documentos ligados ao caso Jeffrey Epstein, que voltam a associar Donald Trump a abusos sexuais, foram divulgados. No Brasil, a menção indireta ao nome de Jair Bolsonaro em conversas atribuídas a Steve Bannon também levantou questionamentos sobre possíveis vínculos obscuros do ex-presidente com figuras centrais da extrema direita global. De acordo com a advogada e jurista Soraia Mendes, embora ainda faltem informações concretas, não se pode descartar nenhum tipo de irregularidade envolvendo Bolsonaro.

“É uma figura que a gente também não pode duvidar de nada… o que eu duvido é que ele tivesse em algum momento cacife para estar numa ilha onde frequentada por príncipes e presidentes das maiores nações e o maior empresariado”. Para ela, a fala provavelmente estará ligada a esquemas de financiamento ou corrupção:

“Talvez é um escancarado financiamento, alguma coisa assim, para além daquilo que a gente já sabe que é a formação ideológica, enfim, que tomar de time a partir de fake news e tal, né? Não sei exatamente o que seria”, diz. A jurista também lembrou o histórico de declarações misóginas do ex-presidente, como a expressão “pintou um clima”, e disse não se surpreenderia com novas revelações. “Eu não duvido de nada, absolutamente nada. O Bannon é um estrategista.”

Violência contra animais

O assassinato do cão Orelha, em Santa Catarina, e outros casos em diferentes regiões do país também foi comentado por Mendes. Há suspeitas de que o crime possa ter sido transmitido ao vivo pelo Discord, em meio a desafios sádicos que circulam na plataforma. Soraia afirmou ter evitado acompanhar os detalhes por considerar o episódio profundamente perturbador.

“Eu tenho uma posição que, segundo a qual, todas as vezes que nós estamos falando de violência contra mulheres, contra pessoas vulneráveis, contra animais, eu entendo que a resposta penal tem que ser a prisão.”

Mãe e “avó de PET”, ela ressaltou que esse tipo de crime é sintoma de um processo mais amplo de degradação social. “A gente tá passando por um período de trevas na civilização.” Para a jurista, a escalada da violência contra animais está diretamente conectada ao aumento do feminicídio e a um ambiente de brutalização generalizada: “Voltar-se em relação aos animais também faz parte desse retrocesso civilizatório”, disse.

Ela também apontou que plataformas como o Discord abrigam um “subterrâneo sem fundo” e defendeu regulação urgente. “Tudo isso demanda que se tenha, como nós já falamos há muito tempo aqui na Fórum, regulação para que essas coisas que acabam sendo também divulgadas e enaltecidas, infelizmente por muitas pessoas, não sejam transmitidas.”

Dois pesos e duas medidas

Um dos pontos destacados pela jurista foi a crítica à forma desigual como jovens são tratados pela sociedade e pelo sistema de justiça, a depender de classe social e território. Ao comentar o caso dos rapazes acusados de matar o cachorro em Santa Catarina, cujas famílias teriam condições de enviá-los ao exterior, ela comparou com a realidade de adolescentes das periferias:

“Eu olho e aqui eu pessoalmente, mas a sociedade de uma forma geral numa determinada classe social olha para os seus filhos com 18, 19 e 20 anos e chama de garotos… mas é o bandido, o homem armado quando pertence a outra. São pessoas que tem absolutas condições de determinar quais são os limites da legislação e opções de vida.”

Para Soraia, não se trata de defender linchamentos, mas de exigir coerência. “Não são meninos realmente, são rapazes ou são homens que precisam responder pelos seus atos e precisam responder pelos seus atos muito fortemente.”

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.