‘REBELIÃO E SOLIDARIEDADE’: JORNALISTA RELATA O CLIMA EM MINNEAPOLIS APÓS MORTES EM PROTESTOS

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MOBILIZAÇÃO

Zoe Alexandra falou sobre a mobilização na cidade, que se tornou foco da resistência popular às medidas anti-imigração de Trump

Moradores de Minneapolis se reúnem para protestar contra a política de imigração e prestar homenagem à Renne Good, morta no dia 7 de janeiro por agentes do departamento de imigração | Crédito: Charly Triballeau / AFP

Enfrentando um inverno de condições extremas, milhares de pessoas tomaram as ruas dos Estados Unidos em protestos contra a truculência do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês), a polícia anti-imigração de Donald Trump. A cidade de Minneapolis se tornou o epicentro dessa mobilização, especialmente após as mortes de Renee Good, em 7 de janeiro; e de Alex Pretti, no dia 24.

A jornalista Zoe Alexandra, editora do Peoples Dispatch, veículo de mídia alternativa que compartilha a visão de movimentos populares pelo mundo, vivencia tudo isso de perto, e contou detalhes em sua participação na edição desta semana de O Estrangeiro, podcast do Brasil de Fato.

Na conversa com os âncoras Lucas Estanislau e Rodrigo Durão, ela contou que chegou ao local do assassinato de Pretti alguns minutos após ele ser alvejado por agentes do ICE. Na ocasião, pessoas de diversas partes da cidade encararam as temperaturas extremas e saíram de casa para ir ao local manifestar solidariedade.

“Existem redes comunitárias que foram se formando a partir de dezembro, quando começou a Operação Metro Surge [que iniciou a caça aos imigrantes na região de Minneapolis]. Nas ruas tem havido um clima de muita resistência, muita rebelião e muita solidariedade”, relatou. “Uma pessoa foi assassinada somente porque estava ajudando uma mulher que estava sendo atacada”.

Em Minneapolis, o foco dos ataques da força anti-imigração trumpista é a comunidade somali. Segundo dados oficiais, mais de 40 mil pessoas nascidas na Somália vivem na região, e boa parte deles tem passaporte estadunidense. Ainda assim, foram alvo de ataques de Trump e de seus seguidores – e organizaram resposta.

“Eles estão se organizando em espaços religiosos, nos centros comerciais e estão saindo nas ruas. Eu encontrei várias pessoas que têm negócios na comunidade de somalis, e eles falaram: ‘Isso não pode seguir acontecendo. Nós teremos que unir todos e sair às ruas. Não vamos retornar para casa até o ICE estar fora do estado’. O que está acontecendo mostra a valentia dessas pessoas, que estão se unindo e saindo às ruas em um sentido de solidariedade e comunidade que é bem profundo. Com o frio, é bastante impressionante”, contou Zoe Alexandra.

Enquanto a população toma as ruas, o partido Democrata busca marcar sua oposição ao Republicano, de Trump. Os EUA terão, em novembro, as chamadas eleições de meio de mandato, que vão renovar toda a Câmara dos Representantes e parte do Senado. Antes da população voltar às urnas, os atuais congressistas democratas ameaçam um novo shutdown – a paralisação dos serviços do governo.

A analista política Stephanie Brito, da Assembleia Internacional dos Povos e comentarista de O Estrangeiro, avalia que a postura do partido Democrata dos Estados Unidos tem sido de “resistência passiva” neste segundo mandato de Trump, e não pretende “jogar gasolina” na mobilização popular. E tem motivos para isso.

“A tendência que temos visto nos Estados Unidos nos últimos anos é de uma ascendência dos níveis de rejeição aos governos como um todo, de ambos os partidos, e também uma ascendência da mobilização popular nas ruas. Uma rejeição ao sistema. O partido Democrata quer se colocar como uma oposição ao Trump, e tem que fazer isso para disputar eleições, mas sem alimentar essa mobilização que está gerando um nível de radicalização que o Partido Democrata quer reprimir”, afirmou.

Para ouvir e assistir

O podcast O Estrangeiro vai ao ar toda quarta-feira, às 15h, no Spotify e no YouTube.

Editado por: Luís Indriunas

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