O Ministério da Justiça comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o pedido de extradição do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) já foi formalmente encaminhado ao governo dos Estados Unidos por via diplomática.
De acordo com ofício enviado ao STF nesta terça-feira (28), a solicitação foi transmitida pelo Ministério das Relações Exteriores. Segundo a pasta, a Embaixada do Brasil em Washington encaminhou ao Departamento de Estado norte-americano, em 30 de dezembro de 2025, a nota verbal contendo o pedido de extradição, acompanhada de toda a documentação exigida pelo tratado bilateral em vigor entre os dois países.
No documento, o Ministério da Justiça informa ainda que manterá o Supremo atualizado sobre o andamento do caso assim que houver novas informações e se colocou à disposição para prestar esclarecimentos adicionais.
O pedido de extradição foi determinado pelo ministro Alexandre de Moraes em dezembro do ano passado, após Ramagem deixar o Brasil e se refugiar nos Estados Unidos. O ex-deputado havia deixado o país em setembro, no mesmo mês em que foi condenado pela Primeira Turma do STF a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão.
A condenação se refere aos crimes de organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado. Na decisão, Moraes determinou que a Secretaria Judiciária do STF reunisse e encaminhasse ao Ministério da Justiça toda a documentação necessária para a formalização do pedido de extradição, conforme previsto no tratado firmado entre Brasil e Estados Unidos. Coube ao Itamaraty realizar o envio oficial às autoridades norte-americanas.
Segundo investigações da Polícia Federal, Ramagem deixou o Brasil de forma clandestina pela fronteira com a Guiana, sem passar por controle migratório. No país vizinho, ele teria embarcado no aeroporto de Georgetown com destino aos Estados Unidos, onde ingressou utilizando passaporte diplomático, apesar de existir determinação judicial para o cancelamento do documento.
Aliados do ex-deputado afirmam que ele pretende solicitar asilo político nos Estados Unidos, o que pode prolongar a análise e a tramitação do pedido de extradição.