ASSOCIAÇÃO CELEBRA AMPLIAÇÃO DAS REGRAS PARA USO DA MACONHA MEDICINAL: “FRUTO DE MUITO TRABALHO”

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AVANÇO

Flor da Vida, que produz óleos medicinais da planta, decisão da Anvisa pode facilitar acesso a pessoas de baixa renda

Em 2020, foram importados cerca de 45 mil produtos à base de cannabis, segundo a Anvisa; acesso ainda é restrito e elitizado | Crédito: Creative Commons

A decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de ampliar as possibilidades de uso da maconha medicinal pode mudar a vida de muitas pessoas. A avaliação é da Associação Flor da Vida, uma das entidades autorizadas a realizar o cultivo e o desenvolvimento de extratos da planta.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a assistente social Maria Carolina de Padua Pinto, que trabalha na associação, afirma que a mudança na regulamentação vai permitir o acesso de mais pessoas, com diferentes patologias, ao tratamento com derivados da maconha. Essas pessoas são alvo de restrições que datam de décadas.

“As pessoas se tratam com cannabis há muitos anos, para várias patologias. Porém, desde 1937, com a proibição da planta no Brasil, tudo ficou mais difícil. Você não pode plantar, portar, dar a planta para alguém. Isso atrasou muito os avanços científicos e o acesso das pessoas a esse medicamento, que é natural e funciona para várias patologias”, afirmou.

Atualmente, a Flor da Vida atende cerca de 23 mil pessoas. Levantamento interno, feito pelos especialistas da própria associação, indicou que há mais de 880 tipos diferentes de patologias catalogadas entre os pacientes que usam a planta. Os resultados são considerados excelentes. Os efeitos colaterais, menores que os dos remédios alopáticos.

Com a determinação formalizada pela Anvisa na quarta-feira (28), passa a ser permitido que farmácias de manipulação comercializem o canabidiol sob prescrição individualizada. Além disso, a agência de vigilância sanitária vai abrir editais para selecionar novas associações sem fins lucrativos para participação em etapas de testagem controlada para o cultivo de maconha e extração de óleo, algo que já é feito pela Flor da Vida e outras entidades no país.

“O que aconteceu ontem [quarta-feira] em Brasília não foi uma coisa aleatória. É fruto de muita luta, construção coletiva de todas as associações. Todos os funcionários que todos os dias estão aqui plantando, produzindo e atendendo as famílias. É real, o benefício dessa planta. Finalmente, a Anvisa olhou para as associações”, afirmou a assistente social.

As normas que foram ampliadas pela Anvisa com a decisão desta semana já estão em vigor desde 2019, quando a Agência publicou a primeira resolução sobre o tema. As restrições previstas, porém, fizeram com que, de lá para cá, o uso dos derivados da maconha fosse, na prática, restrito a pessoas com poderio financeiro para importar os compostos.

“Desde 2019, as pessoas que têm poder aquisitivo conseguem se cadastrar, porque é burocracia muito grande, e conseguem se tratar. E as outras pessoas? Onde elas estavam nesse contexto? É um contexto de abandono. Elas acabavam caindo na ilegalidade, indo atrás de plantas de origem duvidosa, para produzirem seus medicamentos”, relatou a assistente social.

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