EUA AMPLIAM PRESENÇA MILITAR NO EQUADOR EM 2026 COM OPERAÇÕES CONJUNTAS E FOCO NA FRONTEIRA COM A COLÔMBIA
afinsophia 28/01/2026 0
O movimento ocorre em um contexto de crescente interesse internacional pela região, marcado por crises de segurança interna, reposicionamento diplomático e alianças militares que reacendem debates históricos sobre soberania

O movimento ocorre em um contexto de crescente interesse internacional pela região, marcado por crises de segurança interna, reposicionamento diplomático e alianças militares que reacendem debates históricos sobre soberania, influência externa e militarização da segurança pública no continente.
Segundo o portal Brasil de Fato, o subsecretário de Guerra dos Estados Unidos para as Américas, Joseph Humire, reuniu-se no domingo (25), em Quito, com autoridades centrais da área de segurança do Equador. Participaram do encontro o ministro do Interior, John Reimberg; o ministro da Defesa, Gian Carlo Loffredo; o comandante do Comando Conjunto das Forças Armadas, Henry Delgado; e a chanceler Gabriela Sommerfeld.
Tecnologia e áreas estratégicas
De acordo com o Ministério da Defesa do Equador, o acordo reforça o papel do país como um dos principais parceiros de segurança dos Estados Unidos na região andina e no corredor do Pacífico. O comandante Henry Delgado informou que a cooperação prevê a incorporação de tecnologia norte-americana voltada à vigilância, inteligência e controle territorial.
As operações conjuntas deverão se concentrar principalmente na fronteira com a Colômbia e nas rotas marítimas do Pacífico, consideradas estratégicas no combate ao narcotráfico, ao tráfico de armas e a outras atividades ilícitas transnacionais.
Tensões regionais e contexto diplomático
O avanço da cooperação militar ocorre em meio a tensões diplomáticas entre Equador e Colômbia. Dias antes do anúncio, o governo do presidente Daniel Noboa impôs tarifas de 30% sobre produtos colombianos, alegando déficit comercial e falhas de Bogotá no controle da segurança fronteiriça.
A decisão ampliou o desgaste entre os dois países e passou a coexistir com a crise de segurança interna equatoriana e com o fortalecimento das alianças militares com os Estados Unidos.
Violência recorde e militarização
O governo equatoriano sustenta que o aprofundamento da parceria com Washington é uma resposta direta ao avanço do crime organizado. Nos últimos anos, o país deixou de figurar entre os mais seguros da América Latina e passou a registrar níveis recordes de violência.
Dados oficiais indicam que 2025 terminou com 9.216 homicídios intencionais, alta de 30,48% em relação a 2024, tornando-se o ano mais violento da história do Equador. Em janeiro de 2024, pouco após assumir a presidência, Daniel Noboa declarou a existência de um “conflito armado interno”, autorizando a militarização da segurança pública e decretando estado de exceção. A medida suspendeu garantias constitucionais e permanece em vigor em nove das 24 províncias do país.
Críticas e questionamentos internacionais
Desde então, o uso das Forças Armadas também se estendeu à repressão de mobilizações sociais. Durante a Greve Nacional Indígena, entre setembro e novembro de 2025, protestos contra o aumento do diesel e contra políticas econômicas do governo foram reprimidos com violência. O Executivo classificou os manifestantes como “terroristas”.
Organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), denunciaram violações de direitos humanos e o enfraquecimento do direito ao protesto no país.
Bases militares e resistência popular
A aproximação entre Equador e Estados Unidos se intensificou após o retorno de Donald Trump à Casa Branca. Em setembro de 2025, o senador Marco Rubio visitou Quito e anunciou US$ 13,5 milhões para o combate ao narcotráfico, além de US$ 6 milhões para a compra de drones destinados à Marinha equatoriana. Rubio também afirmou que Washington estaria disposto a reabrir uma base militar no país, caso houvesse solicitação formal.
A proposta, no entanto, esbarrou na Constituição equatoriana. Em referendo realizado em novembro de 2025, 61% dos eleitores rejeitaram a possibilidade de bases militares estrangeiras, mantendo a proibição em vigor desde 2008, quando a base americana de Manta foi desativada.
Apesar do resultado, a Embaixada dos Estados Unidos informou que, em dezembro de 2025, militares da Força Aérea norte-americana participaram de operações conjuntas temporárias em Manta, voltadas ao treinamento e à coleta de informações de inteligência.
Atuação também no Paraguai
Além do Equador, os Estados Unidos ampliaram recentemente sua atuação militar no Paraguai. Segundo o jornal La Nación, militares norte-americanos desembarcaram no país para treinamentos conjuntos autorizados pelo Congresso paraguaio, no âmbito do Programa de Respostas a Crises e Contingências.
A operação envolve o 7º Grupo de Forças Especiais dos EUA e inclui capacitação em medicina de combate, primeiros socorros e resposta a emergências. O governo paraguaio afirmou que a presença é temporária e não envolve a instalação de bases militares permanentes.
Especialistas avaliam que os movimentos reforçam uma estratégia regional mais ampla de Washington, com impactos que extrapolam fronteiras nacionais e influenciam o equilíbrio geopolítico da América do Sul.
*Com informações da Revista Sociedade Militar.