TRUMP, DEPOIS DE SEUS AGENTES DO ICE ASSASSINAREM ENFERMEIRO: “DEIXEM NOSSOS AGENTES DA IMIGRAÇÃO FAZEREM SEU TRABALHO”
VIOLÊNCIA
Presidente dos EUA não lamentou assassinato a tiros de Alex Pretti
Opresidente dos EUA Donald Trump se pronunciou nas redes sociais após a polícia da imigração (ICE) executar com tiros à queima-roupa o enfermeiro Alex Jeffrey Pretti, 37, na cidade de Minneapolis, no estado de Minnesotta.
Vídeos mostram o momento da execução: o homem estava sendo agredido por agentes da polícia imigratória de Trump quando foi alvejado à curta distância pelos agentes federais.
Trump não lamentou o assassinato, e replicou a imagem de uma suposta arma encontrada com Pretti após a execução. Ele aproveitou o episódio para criticar Tim Walz (governador de Minnesotta) e Jacob Lawrence Frey (prefeito de Minneapolis), ambos opositores e membros do partido Democrata.
“Esta é a arma do atirador, carregada (com dois carregadores extras cheios!), e pronta para uso – O que significa isso? Onde está a polícia local? Por que não permitiram que protegessem os agentes do ICE? O prefeito e o governador os dispensaram? Afirma-se que muitos desses policiais foram impedidos de fazer seu trabalho, que o ICE teve que se proteger – uma tarefa nada fácil!”, afirmou Trump.
“O prefeito e o governador estão incitando a insurreição com sua retórica pomposa, perigosa e arrogante! Em vez disso, esses políticos hipócritas deveriam estar procurando os bilhões de dólares que foram roubados do povo de Minnesota e dos Estados Unidos da América. DEIXEM NOSSOS AGENTES DA IMIGRAÇÃO FAZEREM SEU TRABALHO! Doze mil imigrantes ilegais criminosos, muitos deles violentos, foram presos e expulsos de Minnesota. Se ainda estivessem lá, vocês veriam algo muito pior do que estão presenciando hoje!”, completou o presidente dos EUA.
Pretti é o segundo cidadão americano assassinado por agentes do ICE em 2026. Em 7 de janeiro, a estadunidense Renee Nicole Gold foi assassinada a tiros pela polícia de imigração de Donald Trump. Em 14 de janeiro, Julio Cesar Sosa-Celis, cidadão venezuelano, também foi assassinado por autoridades federais.
Protestos contra o ICE
Milhares de manifestantes desafiaram o frio intenso e os ventos fortes em Nova York, nesta sexta-feira (23), para protestar contra as ações repressivas e abusivas do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em diversas regiões dos Estados Unidos, além da detenção, nesta semana, de um menino de 5 anos nas proximidades de Minneapolis.
Empresas amanheceram fechadas. O clima de medo provocado pelo aumento das detenções levou vendedores, sindicatos e moradores a aderirem a um apagão econômico e a se reunirem em protestos e vigílias, organizados sob o lema “Dia da Verdade e da Liberdade”.
“A dor e a tensão são reais”, afirmou ao New York Times o bispo Dwayne Royster, da Faith in Action. Segundo ele, a reação da população revela “uma resiliência profunda e uma disposição coletiva de enfrentamento”.
Donald Trump determinou o envio de milhares de agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) a cidades e estados governados por democratas, sob o argumento de combater o crime e a imigração irregular ao longo de 2025. Como já destacaram especialistas, a medida não passa de uma provocação política, desnecessária e potencialmente inflamatória, que amplia tensões e riscos de violência.
Os protestos ocorrem em meio a semanas de confrontos entre moradores de Minnesota e agentes federais, especialmente em Minneapolis e St. Paul, desencadeados pela intensificação da operação de imigração ordenada pela administração Trump, que enviou milhares de agentes e já resultou em milhares de prisões e em episódios de violência nas ruas.
Os dados da polícia de Trump
O ICE (sigla para Immigration and Customs Enforcement, ou Serviço de Imigração e Alfândega) é a força responsável pela apreensão de imigrantes nos Estados Unidos. Seu uso indiscriminado e as condições de detenção têm sido denunciados por entidades de direitos humanos por violações à dignidade da pessoa humana, especialmente após a posse de Donald Trump, em janeiro de 2025.
Uma análise da organização Prison Policy Initiative, baseada em dados internos do ICE, aponta que mais de mil pessoas foram presas diariamente pela agência ao longo de 2025.
Levantamentos estaduais referentes ao período entre 20 de janeiro e 15 de outubro de 2025 indicam que, apenas nesses dez meses, o ICE realizou ao menos 217 mil prisões em todo o país. O número não inclui o restante do quarto trimestre de 2025 nem dados de 2026, o que sugere que o total anual pode ser ainda maior.
Relatórios sobre as condições de custódia mostram que 2025 foi o ano mais letal das últimas duas décadas para pessoas detidas pelo ICE. Pelo menos 32 mortes foram registradas durante o ano, igualando ou superando o recorde anterior, estabelecido em 2004.