ILÚ OBÁ DE MIN HOMENAGEIA SACERDOTISA AFRICANA NO CARNAVAL DE SÃO PAULO
afinsophia 25/01/2026 0
TRADIÇÃO
O bloco afro abre a festa na capital paulista na sexta-feira (13) e desfila também no domingo (15)
- SÃO PAULO (SP)
- JOSÉ BERNARDES
Como já é tradição na capital paulista, o carnaval começa oficialmente com o desfile do bloco afro Ilú Obá de Min, que sai no dia 13 de fevereiro, sexta-feira. Em 2026, comemorando 21 anos, o bloco apresenta o enredo Ifatinuké – Iyá-Olobá do Axé Transatlântico, que celebra a a vida e a ancestralidade de Ifatinuké, sacerdotisa com papel fundamental para a expansão do Reino de Oyó no Brasil.
O bloco de carnaval é um dos projetos mais destacados da associação Ilú Obá De Min – Educação, Cultura e Arte Negra, dedicada às culturas de matriz africana, afro-brasileira e à mulher negra.
O jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, recebeu nesta sexta-feira (23) uma das integrantes do bloco, Fernanda Aguiar, que falou sobre o processo de escolha do tema. O grupo apresenta enredos sobre mulheres e gosta de fazer as homenagens em vida, mas, em alguns casos, atua para contar histórias que não foram contadas.
“Essa história veio até a gente em um momento muito importante. A gente faz 21 anos, e para nós, que temos conexão com as religiosidades de matrizes africanas, 21 anos é um momento importante, que marca seu amadurecimento. Pensar nessa história, veio a calhar nesse momento nosso”, relatou.
Também conhecida como Inês Joaquina da Costa ou Tia Inês, Ifatinuké é oriunda de Oyó, um dos reinos mais importantes do território atualmente conhecido como Nigéria. Ela chegou ao Brasil na década de 1870 e fundou o Terreiro nagô Iemanjá Ogunté Obaomin, no Recife (PE).
“Estudos apontam que era uma mulher africana livre. Ela não veio escravizada, e também fez parte de grupos que refletiam sobre a necessidade de levar o culto ao Brasil. É muito importante a gente saber que existia esse trânsito, uma intencionalidade dos africanos que estavam em Oyó em trazer esses cultos ao Brasil”, contou.
O grupo pretende reafirmar os terreiros como espaços de pertencimento, construção comunitária e resistência. O desfile tem sido chamado de “ópera negra”.
“A gente tem a oportunidade de reconhecer nossa própria história. ‘Como assim ela foi e voltou, outros foram e voltaram, livres?’. A gente não sabe disso! A gente tem aquela figura do negro no Brasil, que a história conta como escravizados, mas temos muitas histórias para contar, para ouvir e conhecer. E a dela é uma história que comove bastante, pela liberdade, a coragem e o legado”, prosseguiu Fernanda.
O Ilú Obá de Min desfila na sexta-feira de carnaval (13), às 20h, com saída da Praça da República, no Centro da cidade; e volta às ruas no domingo (15), às 14h, com concentração na Rua Conselheiro Brotero, 195, Barra Funda.